Dissertação de Mestrado
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (Udesc), ___(edição)___, 2015
A gente ensina, aprende e inventa, tudo de uma vez: aprendizagens Colaborativas em Brincadeiras Cantadas e nos Jogos Musicais numa Oficina de Música com Crianças
Andreia Pires Chinaglia Oliveira
Resumo
Este trabalho apresenta pesquisa de mestrado na área de Educação Musical e teve como objetivo principal investigar como as crianças participantes se apropriam, transmitem e reinventam as brincadeiras cantadas e os jogos musicais numa oficina de música. O referencial teórico foi construído a partir dos estudos de Kathryn Marsh (2008; 2013), que investigou os jogos cantados realizados pelas crianças nos pátios escolares em diversos contextos sociais e étnicos. Ao investigar esses jogos, a autora observou que eles serviam como base para importantes estudos sobre como as crianças transmitiam, mantinham e transformavam os jogos do parque infantil com seus pares. Assim, identificou o caráter colaborativo entre as crianças, tanto no processo de transmissão, quanto de composição. A pesquisa de Marsh (2013) contempla sugestões sobre como os professores podem trabalhar os jogos na sala de aula, permitindo que as crianças manipulem e alterem o repertório, tal como elas fazem criativamente no recreio e sugere que as características desses jogos realizados nos contextos informais podem ser incorporadas no ambiente de sala de aula para aprendizagem musical. Tal proposta motivou esta pesquisa que busca melhor compreender como a aprendizagem musical com os pares no contexto informal sugerida por Marsh (2013) ocorre no contexto da sala de aula. A pesquisa foi realizada no Curso de Extensão Brincando Criando e Cantando oferecido pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Para responder a questão, buscou-se compreender as perspectivas das crianças sobre os processos de aprendizagem musical. A investigação consistiu num estudo de caso com abordagem qualitativa e os dados foram coletados num período de três meses por meio de observação participante, de cadernos de anotações das crianças e entrevistas de grupo focal. Após a organização e descrição dos dados, destacamos três categorias de análise a partir das quais as crianças fizeram, falaram e escreveram relacionando-as com os estudos de Marsh (2008; 2013): o processo de aprendizagem com abordagem holística; os trabalhos realizados em grupo e interação com os pares; o tempo e espaço dados para que as crianças pudessem realizar as brincadeiras e os jogos na sala de aula. Diante das análises observou-se que brincando as crianças se socializaram, construíram e aumentaram a interação entre os pares, desenvolveram mais sua autonomia musical e realizaram processos holísticos de aprendizagem. Todas essas categorias auxiliaram nas apropriações, transmissões e reinvenções das brincadeiras e dos jogos musicais, porque as crianças puderam estar envolvidas no processo construindo o mesmo. Acredita-se, então, que os resultados de estudos dessa natureza possam contribuir para repensar as metodologias de ensino da música, reconhecendo as práticas da aprendizagem musical informal e incorporando-as à educação musical. Tal perspectiva também valoriza a aprendizagem entre as crianças, valorizando sua autonomia, sua capacidade de ação na elaboração de suas próprias ideias de música, reconhecendo ainda a perspectiva das crianças sobre os próprios processos de aprendizagem musical.
This dissertation presents a master's research in the field of music education and aimed to investigate how children appropriate, transmit and reinvent the singing games and music games in a music workshop. The theoretical framework was built on the studies of Kathryn Marsh (2008; 2013) that investigated the singing games played by children in school playgrounds in different social and ethnic backgrounds. By investigating these games, the author noted that they held important data for studies on how children transmitted, maintained and transformed the games in the playground with their peers. Therefore, she identified the collaborative nature among children both in the process of transmission and composition. Marsh's research (2013) includes suggestions on how teachers can work with the games in the classroom, allowing children to manipulate and change the repertoire as they do creatively during break time and suggests that the characteristics of those games played in infor mal settings can be incorporated into the classroom environment for learning music. This proposal motivated this research that seeks to better understand how learning music with peers in informal contexts as suggested by Marsh (2013) occurs in the context of the classroom. The research took place in the extension course called “Playing, Creating and Singing” offered by the State University of Maringá (UEM). In order to answer this question, the perspectives of children on the processes of learning music were searched out. The research consisted of a case study with a qualitative approach and data was collected over a period of three months through participatory observation, children’s notebooks and focus group interview. After the organization and description of data, three categories of analysis were highlighted from what the children had done, spoken and written relating them to the studies of Marsh (2008; 2013): the learning process with an holistic approach; the work done in groups and interaction with peers; time and room provided so that the children could play the games in the classroom. Based on the analysis, it was noticed that by playing children socialized, built and increased interaction among peers, developed more their musical autonomy of decision and held holistic learning processes. All these categories helped in appropriations, transmissions and reinventions of music games, because children were able to be involved in the process by building it together. It is believed, therefore, that the results of such studies can contribute to reconsidering music teaching methods, recognizing the practices of informal music learning and incorporating them into music education. This perspective also values learning among children, enhancing their autonomy, their ability to act and elaborate their own music ideas, yet recognizing the children's perspective on their own music learning process.
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