Dissertação de Mestrado
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (UNIRIO), ___(edição)___, 2017
Tocar e ser tocado. Cantar e encantar Música, trânsitos e relatos de uma vida no candomblé
Ferran Tamarit Rebolo
Palavras-chave
Resumo
A vida de Dofono D’Omolu, nome pelo qual é conhecido o babalorixá, músico e agente cultural Claudecy de Souza Santos, sempre foi estruturada em volta do fazer musical. Como sujeito nascido e socializado dentro do universo das religiões afro-brasileiras, o candomblé é para ele "uma história de vida". Para o Dofono, candomblé é antes que nada uma relação, uma troca entre pessoas e entidades, articuladora de relatos e projetos de vida (VELHO, 2003). Em movimento constante, percursos e energias são dinamicamente impulsionados e modificados pela ação dos indivíduos, sempre ajudados por forças transcendentes. Dofono, neste sentido, transita entre espaços sociais, geográficos e humanos para tentar organizar sua vida em volta da música (e) do candomblé. A presente proposta, nascida de nosso diálogo mutuamente atento e de nossa relação intensa de aprendizados, parcerias e trabalho, parte do fazer musical e de nossa ligação como parentes-rituais para tentar reconstruir e refletir em volta do papel primordial que o musicar (SMALL, 1998) – a participação em qualquer encontro de seres humanos em volta do fazer música – tem na construção criativa de nossas vidas. Em nossos trânsitos, somos levados a confrontar visões de mundo e perspectivas diferentes, e surgem dessa forma conceitos e atitudes que desafiam as narrativas hegemônicas sobre as religiões de matriz africana, sobre o que é ser músico ou sobre sobreviver numa grande metrópole como o Rio de Janeiro, entre outras. De alguma forma, construímos interativamente outras "etnomusicologias" que podem contribuir para uma mudança no paradigma acadêmico vigente.
The life of Dofono D'Omolu, name by which is known the babalorixá, musician and cultural agent Claudecy de Souza Santos, has always been structured around music making. As a person born and socialized within the universe of Afro-Brazilian religions, candomblé is for him "a life histpry". For Dofono, candomblé is, first and foremost, a relationship, an exchange between people and entities which articulates stories and life projects (VELHO, 2003). In constant movement, paths and energies are dynamically driven and modified by the action of individuals, always assisted by transcendent forces. Dofono, in this sense, transits between social, geographic and human spaces trying to organize his life around candomble (and) music. The present study, born out of our mutually attentive dialogue and our intense relationship of learning, partnership and work, started with music making and with our connection as ritual-relatives and aims to reconstruct and reflect on the primordial role that musicking (SMALL, 1998) – participation in any gathering of human beings around making music – has in the creative construction of our lives. In our transits, we are led to confront different worldviews and perspectives, and thus to come up with concepts and attitudes that challenge hegemonic narratives about African-derived religions, about being a musician, or about surviving in a huge metropolis such as Rio de Janeiro, among other things. In a sense, we have interactively constructed other "ethnomusicologies" that can contribute to propose possible changes to current academic paradigms.
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