Artigo em periódico
Fonte: Revista Brasileira de Musicoterapia, ___(edição)___, 2022
Relações afetivas e o transtorno do espectro autista: dois relatos de caso em musicoterapia
Biank Tomaz Gonçalves, Michele de Souza Senra, Lia Rejane Mendes Barcellos
Resumo
O presente trabalho apresenta o relato de intervenções musicoterapêuticas com duas crianças diagnosticadas precocemente com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nas sessões iniciais os jovens indivíduos demonstraram relações de apego com seus cuidadores, evidenciadas pela busca constante do colo materno como “porto seguro”, durante as intervenções. Tal comportamento impactou o estabelecimento de vínculo terapêutico (terapeuta-paciente), inviabilizando o desenvolvimento dos objetivos musicoterapêuticos traçados. As técnicas musicoterapêuticas utilizadas para superar este desafio, assim como a importância da postura do profissional musicoterapeuta na construção de uma relação terapêutica são abordadas. Para o acompanhamento destes indivíduos foi utilizada a Escala de Desenvolvimento Musical de Crianças com Autismo (DEMUCA). Foi observado, no entanto, que a substancial e gradual melhora destes pacientes no que concerne à capacidade de interação com o musicoterapeuta, interação com objetos, interação com instrumentos musicais, atenção e interesse, ocorreu concomitantemente com o processo de “desapego” da figura materna no setting terapêutico. Em suma, este trabalho reforça que indivíduos com TEA, mesmo em idade precoce, podem estabelecer relações afetivas. Tais relações, por sua vez, são particulares e com potencial influência em suas atividades cotidianas.
Affective relations and the autistic spectrum disorder: two case reports in music therapy
This paper presents the report of music therapy interventions for two children early diagnosed with Autistic Spectrum Disorder (ASD). During the initial sessions the infants demonstrated attachment relationships to their caregivers, evidenced by the constant search for the mother’s lap, during the interventions. Such behavior impaired the therapist-patient bond establishment, making the outlined music therapy goals unfeasible. The music therapy approaches and techniques used to overcome this challenge, as well the importance of the music therapist’s actions to building a therapeutic alliance are described. The Music Development of Children with Autism (MUDECA) scale was applied to monitor these patients. However, the gradual and substantial improvement of these infants regarding the ability to engage with the music therapist, engage with objects, engage with musical instruments, attention and interest, simultaneously occurred to the “detachment” process from mother figure inside the therapeutic room. In short, the present study supports that people with autism spectrum disorders, even at an early age, are able to build affectional ties. In turn, such relationships are peculiars and with potential influence on their daily activities.
Relaciones afectivas y trastorno del espectro autista: dos reportes de casos en musicoterapia
El presente trabajo presenta el reporte de intervenciones musicoterapéuticas para dos niños diagnosticados tempranamente con Trastorno del Espectro Autista (TEA). En las sesiones iniciales, los niños demostraron relaciones de apego con sus cuidadores, evidenciadas por la búsqueda constante del regazo de la madre como “refugio seguro” durante las intervenciones. Tal comportamiento impactó en el establecimiento del vínculo terapéutico (terapeuta-paciente), imposibilitando el desarrollo de las metas musicoterapéuticas establecidas. Se abordan los enfoques y técnicas musicoterapéuticas utilizadas para superar este desafío, así como la importancia de la actitud del musicoterapeuta en la construcción de una alianza terapéutica. Para el seguimiento de los pacientes se utilizó la “Escala de Desarrollo Musical del Niño con Autismo” (DEMUCA). Se observó, sin embargo, que la mejora sustancial y paulatina de estos pacientes en cuanto a la capacidad de interacción con el musicoterapeuta, interacción con objetos, interacción con instrumentos musicales, atención e interés, ocurrió concomitantemente con el proceso de “despliegue” de la madre en “espacio terapéutico”. En suma, este trabajo refuerza que las personas con trastorno del espectro autista, incluso a edades tempranas, pueden establecer relaciones afectivas. Tales relaciones, a su vez, son privadas y influyen potencialmente en sus actividades diarias.
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