Artigo em periódico
Fonte: Percepta, ___(edição)___, 2023
Musical Imagination and Reading: The Role of Sight-Reading in the Constitution of Brazilian Musical Genres
Paulo Sá, Marcos Nogueira, Midori Maeshiro
Resumo
We focus on professional Brazilian music of the instrumental genre and address the crucial role of sight-reading in its development. We argue that in addition to the standard concept of sight-reading — related to the strict deciphering of signs on the pentagram — other reading praxis founded, over the last two centuries, what came to be recognized as Brazilian music. In this sense, we highlight that the notational format internationally known as lead sheet (the notational standard used in the context in question) not only enabled the availability of essential musical elements for the singularization of work and authorship but also led to the consolidation of the collection of images musicals that constituted the genre in question. In this way, the interaction of imagined simulations of generic patterns—the action of embodied memory — with reading the lead sheet gave rise to works and defined a repertoire. Considering assumptions of embodied cognition of music, stylistic-musical foundations, and the analysis of recordings and transcriptions, we speculate attributing a central role to sight-reading in the constitution of the stylistic field addressed — primarily represented by Choro. It is a musical production originated by and in performance, encompassing phrasal and harmonic improvisation, modes of articulation, and sonority.
Imaginação musical e leitura: o papel da leitura à primeira vista na constituição dos gêneros musicais brasileiros
Focalizamos a música brasileira profissional de gênero instrumental e abordamos o papel crucial da leitura à primeira vista para o seu desenvolvimento. Argumentamos que, para além do conceito comum de leitura à primeira vista — relacionado à estrita decifração de sinais sobre o pentagrama —, outras práxis de leitura fundaram, ao longo dos dois últimos séculos, o que se passou a reconhecer como música brasileira. Neste sentido, destacamos que o formato notacional internacionalmente conhecido como lead sheet (padrão notacional empregado no contexto em questão) possibilitou não só a disponibilização de elementos musicais essenciais para a singularização de obra e autoria, como também suscitou a consolidação da coleção de imagens musicais que constituíram o gênero em questão. Desse modo, a interação das simulações imaginadas de padrões genéricos — a ação da memória incorporada — com a leitura da lead sheet originou obras e definiu um repertório. Considerando pressupostos da cognição musical incorporada, fundamentos estilístico-musicais e a análise de gravações e transcrições, especulamos atribuir papel central à leitura à primeira vista para a constituição do campo estilístico abordado — especialmente representada pelo choro. Trata-se de uma produção musical essencialmente originada pela e na performance, abrangendo improvisação frásica e harmônica, modos de articulação e sonoridade.
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