Artigo em periódico

Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2020

Identidade profissional e música erudita: músicos de orquestra, trabalho flexível e os dilemas da profissão

Guilherme Furtado Bartz

Resumo

Na atualidade, uma parcela significativa dos músicos que atuam no campo da música erudita enfrenta situações de trabalho marcadas pela flexibilidade, instabilidade, informalidade e precarização. Muitos profissionais só encontram espaço no mercado de trabalho quando se submetem a tais condições laborais, já que existem poucas alternativas melhores do que essas disponíveis. Isso acaba trazendo sérias consequências para suas carreiras e para suas concepções do que é “ser músico”, tais como um sentimento de incerteza e insegurança permanente. Partindo dessas constatações, este artigo procura refletir sobre tais problemas a partir do conceito de “identidade profissional”. Por meio de uma etnografia realizada em 2017 com os instrumentistas da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro (OCTSP), de Porto Alegre, grupo que é considerado uma das principais orquestras do Rio Grande do Sul, foi possível acompanhar o trabalho desses músicos tanto no âmbito dessa orquestra quanto em relação a outras esferas de atuação profissional nas quais eles também estavam inseridos. Todos os 16 músicos entrevistados possuíam atividades musicais paralelas às da orquestra, o que levantou questionamentos sobre os significados objetivos e subjetivos de sua profissão. Concluiu-se que a diversidade de tarefas desempenhadas por esses instrumentistas contribuía para enfraquecer seu senso de identidade profissional, na medida em que os múltiplos pertencimentos laborais e a flexibilidade trabalhista são fatores que dificultam a especialização e a noção de integridade e coesão identitária.

Professional Identity and Classical Music: orchestra musicians, flexible work and career dilemmas

At present, a significant share of musicians who work in the field of classical music have work arrangements associated with flexibility, instability, informal employment, and insecurity. Many professional musicians only find a position in the job market if they submit to such working conditions, practically having no other alternatives. Eventually this causes serious consequences on the musicians’ careers and ideas of what it is “to be a musician”, e.g., a constant feeling of uncertainty and insecurity. Based on these assertions, this article aims to reflect on these issues from a perspective of “professional identity”. From an ethnographic study conducted in 2017 with instrumentalists of the Orquestra de Câmara Theatro São Pedro (OCTSP) in Porto Alegre (Brazil) – an organization considered one of the principal orchestras in the state of Rio Grande do Sul – it was possible to track the musicians’ work activities both within the orchestra and other areas of professional work in which they were engaged. All 16 musicians interviewed were engaged in musical activities parallel to the orchestra, raising questions as to the objective and subjective meaning of their profession. We concluded that the diverse types of work performed by the instrumentalists contribute to weakening their sense of professional identity, as multiple occupations and work flexibility are factors that hinder specialization and the notion of integrity and identity cohesion.

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