Artigo em periódico

Fonte: Ictus, ___(edição)___, 2020

Ópera e febre amarela no Rio de Janeiro Imperial

Marcos Virmond, Lenita Nogueira

Resumo

A música, particularmente a ópera, foi atividade importante no Rio de Janeiro do século XIX e na política de aproximação da ex-colônia à Europa. A falta de forças locais suficientes, entretanto, fazia a Itália, principalmente, o local de busca por companhias líricas que viessem suprir essa demanda. Nesse contexto, este estudo pretende discutir as relações da vida operística da capital do império, notadamente as companhias líricas italianas, com a epidemia de febre amarela que assolou o Rio entre 1849 e 1853 e suas repercussões na Europa. Mesmo com a morte de muitos integrantes das companhias, os músicos continuavam a participar das temporadas líricas no Rio. Ida Edelvira, Angelo Brunacci, Giuseppina Zecchini e Rosilde Stoltz são alguns dos importantes nomes da lírica italiana que continuaram a frequentar a cena local, mesmo com a vigência da epidemia amarílica. Descreve-se os detalhes desses agenciamentos, o repertório empreendido no Rio, sua repercussão local, o acometimento progressivo de vários membros das companhias pela doença, muitos deles com êxito letal e a percepção da imprensa italiana especializada em teatro sobre esta situação. Conclui-se que o desconsolo com a situação política e social da Itália naquele momento, os ganhos monetários substanciais e a possibilidade de extensas viagens para outros centros da América do Sul prevaleciam sobre o receio da febre amarela.

Opera and Yellow Fever in Imperial Rio de Janeiro

D. Pedro II and his court particularly favored opera in Rio de Janeiro, not only because it identified the country with European civilization, but also because of the taste already introduced in the capital of the kingdom at the time of D. João VI. The lack of enough local forces, however, made Italy the place of choice for hiring lyrical companies that would supply this demand. In this context, this study aims to discuss the relationship between operatic life in the capital of the empire and the yellow fever epidemic that struck Rio between 1849 and 1853 and its repercussions in Europe. The trip was long and the risk of  illness  was  severe.  Even  so,  singers  and  musicians  took  the  risk  in  the  name  of  considerable  gains,  the possibility of exercising their profession and the search for a better life outside an Italy socially and economically shattered by the wars of unification.

Ópera y fiebre amarilla en el Rio de Janeiro imperial

D. Pedro II y su corte favorecieron particularmente la ópera en Río de Janeiro, no solo porque permitía identificar al país con la civilización europea, sino también por el gusto ya introducido en la capital del reino en la época de D. João VI. Sin embargo, la falta de fuerzas locales suficientes convirtió a Italia en el lugar de elección para la búsqueda de compañías líricas que abastecieran esta demanda. En este contexto, este estudio tiene como objetivo discutir la relación entre la vida operística en la capital del imperio y la epidemia de fiebre amarilla que afectó a Río entre 1849 y 1853 y sus repercusiones en Europa. El viaje era largo y el riesgo de enfermedad, enorme. Aun así, cantantes y músicos italianos se arriesgaron en nombre de ganancias considerables, la posibilidad de ejercer su profesión y la búsqueda de una vida mejor fuera de Italia, que entonces estaba social y económicamente destrozada por las guerras de unificación.

Seguir para site externo

Seu navegador será reencaminhado para a fonte do documento, porque o Amplificar não mantem cópias das referências. Caso o texto não seja carregado, por favor me notifique que ele está fora do ar e consulte sua disponibilidade no site oficial da fonte.