Artigo em periódico

Fonte: Revista da Tulha, ___(edição)___, 2016

Violão e identidade nacional: a “moral” do instrumento

Carlos Fernando Elias Llanos

Resumo

O texto analisa parte da literatura sobre a história do violão no Brasil nas primeiras décadas do século XX, no contexto das complexas relações sociais e políticas da Primeira República na cidade de Rio de Janeiro. A ideia central é discutir a noção de violão-arte, que teria surgido a partir da tradição do violão erudito europeu (como construção de discurso), em contraposição a outras práticas violonísticas que a historiografia do instrumento não menciona ou o faz ressaltando sua progressiva aceitação “moral” e distanciamento do estigma da boêmia e a vadiagem. O texto conclui problematizando como o violão configurou-se como meio de execução e corporificação de representações sociais, que chamamos de instrumento-documento, violentamente empobrecido (pois, na passagem do século XIX ao XX ele era sinônimo de  marginalidade),  precariamente  empregado,  com  escassa  ou  nula instrução formal (não havia onde aprender a tocar) e principalmente autodidata (aprendido na prática e na tradição oral).

Acoustic guitar and national identity: the “moral” of the instrument

The text analyzes part of the literature on the history of the guitar in Brazil, during the first decades of the twentieth century, in the context of complex social and political relations of the First Republic in the city of Rio de Janeiro. The central idea is to discuss the notion of guitar-art that would have arisen from the tradition of European classical guitar (as a discourse construction), as opposed to other guitar practices not mentioned in instrument’s historiography or, when it does, is by highlighting its gradual  “moral” acceptance and distance of stigma of bohemian and vagrancy. The text concludes questioning how the guitar set up as a means of implementation and embodiment of social representations, we call instrument-document, violently depleted (because, in the late nineteenth to the twentieth century it was synonymous with marginality), precariously employed, with little or no formal education (there was nowhere to learn to play) and mainly self-taught (learned in practice and oral tradition).

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