Artigo em periódico
Fonte: Revista da Tulha, ___(edição)___, 2023
Vanguarda Paulista e a abertura política: a canção como um agente da redemocratização, na São Paulo dos anos 1970-1980
Mauro Nascimento Clemente, Heloísa de Araújo Duarte Valente
Palavras-chave
Resumo
Os anos 1970 e 1980, no Brasil, foram marcados pelo processo de abertura política e redemocratização. Neste mesmo período, uma eloquente produção de música experimental e alternativa surgia com considerável força local, a chamada “Vanguarda Paulista”. O objetivo deste artigo é demonstrar que os espaços da música popular já estavam controlados pelas gravadoras multinacionais e o poder ideológico das canções havia sido neutralizado pela lógica da indústria cultural. Para tanto, utilizam-se os conceitos de “táticas cotidianas”, de Michel de Certeau; e de “Música de Invenção”, de Augusto de Campos, para analisar o desafio da Vanguarda Paulista em conseguir seu lugar à margem do espectro do mercado fonográfico, e atingir o grande público com a maior liberdade criativa possível. Neste contexto, o artigo seleciona os grupos musicais Rumo, Língua de Trapo e Premeditando o Breque (Premê), analisando canções que abordam temáticas relacionadas ao momento sociopolítico, utilizando autores como Marcos Napolitano, José Adriano Fenerick, Éder Sader e outros, que discutiram sobre este processo de abertura e suas implicações no âmbito cultural. Algumas conclusões parciais apontam que essas canções da Vanguarda Paulista formam bricolagens de estilos e gêneros musicais; e que podem ser ouvidas como relatos cotidianos de um determinado espaço temporal e físico.
Vanguarda Paulista and political openness: song as an agent of redemocratization, in São Paulo in the 1970s-1980s
The 1970s and 1980s, in Brazil, were marked by the process of political opening and redemocratization. In this same period, an eloquent production of experimental and alternative music emerged with considerable local strength, the so-called “Vanguarda Paulista”. The purpose of this article is to demonstrate that popular music spaces were already controlled by multinational recording companies and the ideological power of songs had been neutralized by the logic of the cultural industry. To do so, it uses concepts of “everyday tactics”, by Michel de Certeau; and “invention music” (“música de invenção”), by Augusto de Campos, to analyze the challenge of Vanguarda Paulista (avant-garde paulista) in achieving its place on the margins of the phonographic market spectrum, and reaching the general public with the greatest possible creative freedom. In this context, the article elects the musical groups Rumo, Língua de Trapo and Premeditando o Breque (Premê), analyzing songs that approach themes related to the sociopolitical moment, using authors such as Marcos Napolitano, José Adriano Fenerick, Éder Sader and others, who discussed about this opening process and its implications in the cultural scope. Some partial conclusions point out that these Vanguarda Paulista songs form bricolage of musical styles and genres; and that can be heard as everyday reports of a given temporal and physical space.
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