Artigo em periódico

Fonte: Revista Música, ___(edição)___, 2016

Uma suíte, sua entabulação e a poética do alaúde barroco: considerações sobre a Suite em Sol Menor BWV 995 de Johann Sebastian Bach

Renato de Carvalho Cardoso

Resumo

Este trabalho trata da contraposição entre a Suite em Sol menor para alaúde barroco, BWV 995, de Johann Sebastian Bach, com o manuscrito de época feito por um entabulador anônimo, conforme documentada no chamado Manuscrito de Leipzig (Coleção Becker III. 11. 3). Parte-se da ideia de que há um desalinhamento entre a obra concebida pelo compositor e a tradição instrumental na qual ela seria executada. Através de um procedimento comparativo de fontes, essa diferença será analisada em três tópicos: alteração do texto para fins de exequibilidade ao alaúde (supressão de notas, transposição de oitava, deslocamento rítmico); ornamentação (uníssonos alaudísticos, adição substanciosa de ornamentos, ornamentação do sujeito na fuga); articulação (ligados técnicos, de textura e fraseológicos, overlegato, articulação assimétrica). Dada a qualidade da adaptação à tablatura, é de conjectura entre musicólogos que o autor dessa entabulação seja um alaudista de alto nível profissional, do calibre de compositores como Silvius Leopold Weiss (1687 – 1750) ou Adam Falkenhagen (1697 – 1761), o que faz dessa fonte documental um marco qualitativo da prática interpretativa do barroco tardio. A reflexão empreendida busca valorizar a poética interpretativa da tradição alaudística no barroco, considerando sua particularidade criativa de se conceber a prática musical. Argumenta-se que fontes primárias como esta sejam de grande relevância para se entender mais de uma tradição instrumental, fruto da vida social dos músicos da época, e que elas devem ter um status privilegiado na abordagem da performance historicamente orientada.

This paper deals with the contraposition between the Suite in G minor for baroque lute, BWV 995, by Johann Sebastian Bach, and the period manuscript written by an anonymous intabulator, as documented in the so-called Leipzig Manuscript (Becker Collection III. 11. 3). It starts with the idea that there is a disparity between the work conceived by the composer and the instrumental tradition in which it would be executed. Through a comparative procedure of primary sources, this difference will be analyzed in three topics: text alteration for playing purposes (note suppression, octave transposition, rhythmic displacement); ornamentation (lute unisons, substantial addition of ornaments, ornamentation of the subject of the fugue) articulation (technical, textural and phraseological slurs, overlegato, asymmetric articulation). Given the quality of the tablature adaptation, it is a conjecture among musicologists that the author of this intabulations had to be a high-level professional lutenist, at the level such as Silvius Leopold Weiss (1687 - 1750) or Adam Falkenhagen (1697 - 1761), which put this primary source as a qualitative landmark of the performance practice of the late baroque. The reflection undertaken seeks to value the interpretative poetics of the baroque lute tradition, considering its creative particularity of conceiving musical practice. It is argued that primary sources such as this are of great importance to understand more of an instrument tradition, outcome of the social life of such musicians, and that is should have a privileged status in historically oriented approach to performance.

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