Artigo em periódico

Fonte: Debates, ___(edição)___, 2020

Uma narrativa musical do ‘estado da alma’ do compositor: a Sinfonia no 2 de Villa-Lobos

Paulo de Tarso Salles

Resumo

A Sinfonia nº 2 (“A Ascensão”) de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) tem data de composição em 1917, mas sua estreia só ocorre em 1944. A obra, como as demais sinfonias compostas entre 1916 e 1919, tem estrutura de sonata cíclica, segundo a teoria de Vincent d’Indy. A diferença em relação às outras sinfonias é a ausência de um programa literário explícito, como na Sinfonia nº 1 (escrito pelo próprio compositor) e nas Sinfonias nº 3 e nº 4 (escritos por Escragnolle Dória). No entanto, nas notas de programa publicadas pelo Museu Villa-Lobos (1972), admite-se que essa obra foi inspirada “por assuntos literários”, representando “o estado de alma do compositor àquela época”; além disso, uma breve matéria no jornal A Noite, por ocasião da estreia, oferece detalhes adicionais sobre o caráter da obra. Essa hipótese é reforçada pelosindícios de que a composição é posterior à data oficial, mais próxima da estreia.

Este texto propõe uma análise narrativa, correlacionando os aspectos musicais agenciais, como forma, temas, harmonia, textura e timbre com aspectos expressivos. As referências adotadas vêm das teorias de narratividade propostas por Eero Tarasti (1994) e Byron Almén (2008), além de análises tópicas, segundo Leonard Ratner (1980) e Raymond Monelle (2000). Em geral, esses autores são influenciados pela narratologia greimasiana. Fontes adicionais sobre forma musical são consultadas em d’Indy (1909), Caplin (1998), Wheeldon (2005) e Hepokoski e Darcy (2006).

A musical narrative of the composer’s ‘state of mind’: Villa-Lobos’s Symphony No. 2

Villa-Lobos’s Symphony no. 2 (“The Ascension”) dates of 1917, but its premiere occurred just in 1944. The work is related to the study of Vincent d’Indy’s cyclic sonata, like the remaining symphonies composed between 1916 and 1919. Differently from the other symphonies, Symphony no. 2 lacks a literary program, as Symphony no. 1 (written by the composer himself) and Symphonies no. 3 and no. 4 (by Escragnolle Dória). However, in the program notes published by the Villa-Lobos Museum (1972), it is admitted that this work was inspired “by literary matters”, representing “the composer’s state of mind at that time”; in addition, a brief article in the newspaper A Noite, on the occasion of the premiere, offers additional details about the work’s character. That hypothesis is reinforced by tokens saying that the actual date of composition is closer to the premiere than the official record.This article makes a narrative analysis, which correlates the agential musical aspects, like form, themes, harmony, texture, and timbre, with expressive aspects. The references adopted come from the narrative theories proposed by Eero Tarasti (1994) and Byron Almén (2008), in addition to topical analyzes, according to Leonard Ratner (1980) and Raymond Monelle (2000). These authors are generally influenced by Greimasian narratology. Additional sources on musical form come from d’Indy (1909), Caplin (1998), Wheeldon (2005), and Hepokoski and Darcy (2006).

Seguir para site externo

Seu navegador será reencaminhado para a fonte do documento, porque o Amplificar não mantem cópias das referências. Caso o texto não seja carregado, por favor me notifique que ele está fora do ar e consulte sua disponibilidade no site oficial da fonte.