Dissertação de Mestrado

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (UFBA), ___(edição)___, 2008

Toré – da aldeia para a cidade: música e territorialidade indígena na grande Salvador

Leonardo Campos Mendes da Cunha

Resumo

O Toré é um ritual indígena que envolve performance corporal e música, e se reveste de um sentido mágico-espiritual. Nas últimas décadas, tem sido um ponto focal de afirmação de etnicidade e marca diacrítica na luta por reconhecimento e conquista territorial dos povos indígenas do nordeste brasileiro, historicamente estigmatizados na figura do caboclo.

Sua prática vem promovendo um veículo de comunicação entre várias etnias e desperta o interesse de grupos ecológicos, neoxamânicos ou defensores da diversidade cultural. Nos grandes centros urbanos, emerge um novo olhar para o índio enquanto cidadão brasileiro, além da abertura de mercados simbólicos globalizados.

Esta pesquisa etnomusicológica descreve a itinerância de alguns índios Kariri- Xocó que, saindo de sua aldeia em Alagoas, encontram na região metropolitana de Salvador uma rede de solidariedade e alianças. Organizam uma Reserva Indígena em um terreno doado e fazem consistir, através da face pública do Toré, uma estratégia de sobrevivência econômica e um espaço de ensinamento indígena.

As performances deste grupo foram analisadas nos seus aspectos simbólicomusicais, e na produção de sentidos transculturalizados. Foi possível constatar que o Toré atravessa as dimensões ritualísticas, político-econômicas e ideológicas para se constituir num modo de reterritorialização subjetiva neste contexto urbano. Sua força reflete o poder da música de romper barreiras psicológicas e espaciais e transportar signos culturais, em constante reinvenção, sem perder a potência de expressão e a ligação do índio com a Origem – a presença do sagrado.

The Toré is an indigenous ritual involving music and dance performance in association with magical and spiritual meanings. In recent decades, it has been a focal point of ethnic affirmation and a diacritical sign for Northeastem Brazilian indigenous peoples, historically stigmatized as "caboclo" (mestizo), in their struggle for recognition and territorial conquest.

This practice acts as a vehicle of communication among different indigenous cultures and arouses the interest of ecological groups, neo-shamans and defenders of cultural diversity. In large urban centers a new image of the Indian as Brazilian citizen emerges, in addition to the opening of globalized symbolic markets.

The present ethnomusicological research describes the itinerancy of some Kariri-Xocó Indians, who, leaving their village in Alagoas, encountered alliances and networks of solidarity in the metropolitan region of Salvador. They organized an Indian Reservation on donated land and consolidated, through the public face of the Toré, a strategy of economic survival and a space for indigenous education.

The performances of this group were analyzed both musical-symbolically as well as with regard to their production of trans-culturalized meanings. The analyses indicate that the Toré crosses ritual, political-economic and ideological dimensions, becoming a way of subjective re-territorialization of the Kanri-Xoco in this urban context. The Toré's strength reflects the power of music to break psychological and spatial barriers as well as carry cultural signs in continual reinvention, without losing expressive potency and the connection between Indian and Origin - the presence of the sacred.

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