Artigo em periódico
Fonte: Música Hodie, ___(edição)___, 2014
Timbre e Escrita ao Piano: por uma Incorporação do Comportamento Acústico do Piano na Composição e Análise Musical
Didier Guigue, Luciana Noda, Bibiana Maria Bragagnolo
Palavras-chave
Resumo
Ainda que incompletos, os dados fornecidos pelas pesquisas científicas sobre a acústica do piano nessas últimas décadas permitem destacar com precisão um comportamento típico do instrumento, que pode ser reduzido a um princípio de decréscimo ponderado da complexidade de espectros proporcional à altura da frequência fundamental. Explicitadas as causas deste princípio, este texto recorda em que medida esta “permanência causal” (Schaeffer) pode ser moldada pelas diversas modalidades de ação sobre a interface do instrumento e mostra como o controle do compositor e do intérprete se exercem sobre as duas dimensões que determinam a qualidade (timbrística) inicial de uma dada altura – os registros e as intensidades. Destaca-se destas observações uma dissociação funcional fundamental entre estas duas dimensões: a escrita do registro impõe uma escolha passiva dentre as invariantes possíveis e a escrita das intensidades indica uma direção e uma taxa de modulações a serem efetuadas sobre as invariantes escolhidas. Após uma sessão sobre a incidência da ação dos pedais sobre o timbre, é proposta uma avaliação geral das condições de controle das variáveis, do que se conclui que a notação, mesmo a convencional, é capaz de representar simbolicamente o timbre resultante das prescrições notadas, desde que formalizadas as correlações entre o som e o símbolo e definida uma estratégia funcional de decodificação.
Timbre and Piano Writing: for an Incorporation of Piano’s Acoustic Behavior for Musical Composition and Analysis
Last decades’ researches on the acoustics of piano allow to pinpoint a typical behavior of the instrument. This can be defined by a principle of weighted decrease of the complexity of the spectra, which are proportional to the pitch of the fundamental frequency. After explaining the causes of this behavior, this paper considers to what extent this “causal permanence” (Schaeffer) can be shaped by the different modes of action on the interface of the instrument. Additionally, it shows how the composer and the performer can control the two dimensions which determine the initial quality (timbristic) of a given pitch - register and intensity. These two dimensions are characterized by fundamental functional dissociation between them: the notation imposes a passive choice among the possible invariants (the pitches) and the written “dynamics” indicate a direction and a rate of the modulations to be applied on the chosen invariants. After a session dealing with the role of pedaling on timbre, a general assessment of the conditions of control variables is proposed, which leads to the conclusion that the notation, even conventional, is able to represent symbolically the resulting timbre of the prescriptions, as long as the correlations between sound and symbol set and a functional decoding strategy are formalized.
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