Comunicação oral

Fonte: Simpósio Brasileiro de Pós-Graduandos em Música, ___(edição)___, 2014

Significados e sentidos do repertório em uma roda de choro

Renan Moretti Bertho

Resumo

Ao analisar os dados etnográficos construídos em uma roda de choro de São Carlos, interior de São Paulo, surgem as seguintes inquietações: “Quais são os sentidos do repertório nesse espaço?” e “O que orienta a repetição dos choros na roda?”. Para responder tais questões faço uso da análise cultural da música, conceito desenvolvido por John Blacking (2000) como um programa para pesquisas na área de etnomusicologia. A essa proposta agrego ainda dois aspectos levantados por Thomas Turino (2008), a saber: performance participativa e performance de apresentação. Estas propostas teóricas confirmam a hipótese de que a possibilidade de repetir choros, somente sob algumas condições, caracteriza importante fator estrutural da roda de choro estudada. Deste modo, o presente trabalho tem como objetivos principais mapear os momentos onde é possível repetir músicas que já foram tocadas e elencar questões relacionadas ao repertório, revelando assim características musicais, culturais e sociais. Os resultados apresentam análises de questões centrais, como por exemplo, os significados de tocar sem auxílio de partitura, os revezamentos (tanto entre os músicos quanto entre músicos e público) e a ressignificação das noções de “tempo” e “valor”. A conclusão apresenta uma reflexão sobre os sentidos do repertório neste espaço, enfatizando que a escolha dos choros na roda revela aspectos culturais e sociais fundamentais para compreensão de questões estruturais da prática musical investigada. Tal relação adquire profundidade ao localizarmos o repertório como “calendário da roda”, essencial para limitar o tempo de duração da roda à performance dos choros, mensurando assim a prática à significação musical, cultural e social.

Significance and Meanings of the Repertoire in a Roda de Choro

By analyzing ethnographic data built into a roda de choro of São Carlos, São Paulo, the following concerns arise: "What are the meanings of the repertoire this space?"And "What guides the repetition of choros at the roda?". To answer such questions I make use of cultural analysis of music, a concept developed by John Blacking (2000) as a program for research in ethnomusicology. To that proposal add two further issues raised by Thomas Turino (2008): participatory performance and presentation performance. These theoretical proposals confirm the hypothesis that the possibility of repeating choros, only under some conditions, characterizes important structural factor of the roda de choro studied. Thus, the present work has as main objectives to map the moments where you can repeat songs that have been played and rank issues related to the repertoire, revealing musical, cultural and social characteristics. The results provide analysis of key issues, such as the meanings of play without the aid of sheet music, the relays (both among the musicians and between musicians and audience) and reframing notions of "time" and "value". The conclusion presents a reflection of the meanings of the repertoire in this space, emphasizing that choice of the choros at the roda reveals fundamental cultural and social aspects for understanding structural issues of musical practice. This relationship acquires depth when locate the repertoire as "calendar of the roda", essential to limit the duration of the roda to the performance of choro, so measuring practice to the musical, cultural and social significance.

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