Artigo em periódico
Fonte: Musica Theorica, ___(edição)___, 2019
Richard Wagner e Francisco Braga: o exemplo de Marabá na obra do compositor brasileiro
Isaac F. Chueke
Palavras-chave
Resumo
Através o presente artigo procuramos revisitar alguns dos conceitos inerentes ao fenômeno wagneriano enquanto simultaneamente examinamos a influência deste pensamento e prática na obra de um compositor brasileiro, Francisco Braga. Neste sentido tiramos partido da pesquisa em profundidade que efetuamos a respeito deste último autor, igualmente regente e professor a partir de 1902 do INM, com a primeira tese sobre este grande personagem nacional, material que encontra-se à disposição para consulta na Maison de la Recherche da Universidade Paris-Sorbonne. Se, como sabemos, o ofício de Wagner se materializa de modo quase exclusivo no campo lírico, não deixamos de perceber entretanto seu legado na estética de uma plêiade de compositores. Domina o cenário musical de sua época de tal forma que poucos conseguem resistir. Braga, bastante marcado pela escola francesa, notadamente tendo sido aluno de Massenet - o fato é conhecido - não deixara entretanto de também experimentar, ao seu modo, algumas das técnicas de Wagner. Quisemos aqui revelar um pouco mais deste período, e se comentamos igualmente, ainda que de modo breve, sua experiência com a produção da ópera Jupira, a estética apresenta-se diferentemente, é que esta bem poderia ser interpretada como uma tentativa do compositor brasileiro de fazer um amálgama das escolas alemã e italiana. Por outro lado, é certamente na expressão sinfônica de Braga que podemos encontrar as “tintas” de um legado wagneriano, através de poemas sinfônicos e música incidental (quando a literatura não deixa de estar presente), e com um colorido que podemos ademais hoje reconhecer como bem nosso, uma linguagem que, se europeia na origem, encontra sua perfeita adaptação nos trópicos.
Richard Wagner and Francisco Braga: the example of Marabá in the work of the Brazilian composer
Through the present article we intend to, on one side, revisit some of the concepts inherent to Wagnerism while, on the other side, examinethe influence of this thought and practice when transposed into the music of a Brazilian composer, Francisco Braga. We profited from our intensive research about this last author, also conductor and professor from 1902 onwards at the INM (the actual School of Music at the Federal University of Rio de Janeiro) with the first thesis on this great national figure, a material available for research at the Maison de la Recherche at University Paris-Sorbonne. If, as we know, Wagner’s expertise materializes in an almost exclusive way in the operatic field, we are able to perceive his legacy in the esthetic of a very important number of composers. He dominates the musical scenario of his epoch in such a manner that few are able to resist. Braga, solidly influenced by the French School, particularly having been a student of Massenet -the fact is well known -didn’t avoid nevertheless to also try, on his own way, some of Wagner’s techniques. We wanted here to reveal a little of this period, and if we profit to also comment, even briefly, his experience with the production of the opera Jupira, the esthetic is slightly different, is exactly because this work could well represent an experiment on the part of the Brazilian composer in reconciling both the German and the Italian Schools. On the other hand, it is certainly within Braga’s symphonic expression that we find the “paintings” of a Wagnerian legacy, through symphonic poems and incidental music (when the literature doesn’t fail to be present), and with a color, we might add, that we can nowadays recognize as typically ours, a language which, notwithstanding its Europeanorigin, finds its perfect transposition into the tropics.
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