Resenha em periódico
Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2017
Resenha de Do samba ao funk do Jorjão: ritmos, mitos e ledos enganos no enredo de um samba chamado Brasil, de Spirito Santo (Rio de Janeiro: Escola Sesc de Ensino Médio, 2016)
Carlos Palombini
Palavras-chave
Resumo
A segunda edição, revista e ampliada, do livro de Spirito Santo, Do samba ao funk do Jorjão: ritmos, mitos e ledos enganos no enredo de um samba chamado Brasil, foi lançada pela Escola Sesc de Ensino Médio em agosto de 2016. Através do trabalho de campo e da pesquisa histórica, o autor enlaça, em sete capítulos e um epílogo, diversas linhas evolutivas para tramar a história do samba em perspectiva afro-diaspórica. O “funk do Jorjão” do título remete ao episódio do Carnaval de 1997 em que o mestre de bateria Jorge de Oliveira inseriu uma batida derivada de uma faixa instrumental de electro de Los Angeles em repetições do estribilho do samba-enredo da Unidos do Viradouro. Tal fato ilustra a tese principal do livro: o samba resulta da “hibridização de formas musicais africanas no contexto da diáspora negra nas Américas”. O autor identifica quatro levas sucessivas de escolas de samba: as “escolas matriz” do Estácio e da Mangueira; as “escolas rurais” do Império Serrano e da Portela; as “escolas tijucanas”, dentre as quais o Salgueiro; e as “escolas suburbanas” da Mocidade Independente, da Grande Rio, da Beija-Flor, da Caprichosos de Pilares e da União da Ilha. Em meio a descrições musicais, organológicas, iconográficas e coreográficas informadas pela geografia cultural, Spirito Santo contesta vários mitos — o da hegemonia das culturas yoruba e fon, o da casa de tia Ciata enquanto berço do samba, o da trirracialidade musical — para denunciar o racismo estrutural da historiografia da música brasileira.
Review of Do samba ao funk do Jorjão: ritmos, mitos e ledos enganos no enredo de um samba chamado Brasil, by Spirito Santo (Rio de Janeiro: Escola Sesc de Ensino Médio, 2016)
The second edition, revised and enlarged, of Spirito Santo’s book, Do samba ao funk do Jorjão: ritmos, mitos e ledos enganos no enredo de um samba chamado Brasil, was published by Escola Sesc de Ensino Médio in August 2016. Through fieldwork and historical research, the author entwines, in seven chapters and one epilogue, various evolutionary lines in order to weave a history of samba from an Afro-diasporic perspective. The “Jorjão’s funk” of the title evokes an episode from the 1997 Carnival parade in which the master-of-drums Jorge de Oliveira used a beat derived from an LA-electro track to underpin repetitions of the samba-enredo refrain of the Unidos do Viradouro samba school. This fact illustrates the main thesis of the book: samba results from “the hybridization of African musical forms within the context of the Black diaspora in the Americas”. The author identifies four successive groups of samba schools: the “matrix schools” of Estácio and Mangueira; the “rural schools” of Império Serrano and Portela; the “Tijuca schools”, among which Salgueiro; and the “suburban schools” of Mocidade Independente, Grande Rio, Beija-Flor, Caprichosos de Pilares, and União da Ilha. Amid musical, organological, iconographic and choreographic descriptions informed by cultural geography, Spirito Santo contends with various myths — the hegemony of the Yoruba and Fon cultures, aunt Ciata’s house as the birthplace of samba, musical tri-raciality — to denounce the structural racism of Brazilian musical historiography.
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