Artigo em periódico
Fonte: Musica Theorica, ___(edição)___, 2021
Purifying Through Failure, Uniting Through Defeat: Schnittke’s Sonata Forms and Their Apocalyptic Structural Logic
Katerina Maniou
Palavras-chave
Resumo
In this article, we suggest that Schnittke creates imaginative paraphrases of sonata form which are concealed in the whole movements of his works and are supported by a network of reversals. By codifying common threads of thematic, functional, gestural, and developmental logics, in combination with theories which concern the sonata-tonality duet as well as the ideological reflections of pivotal patterns of modern western culture, we argue that the composer, driven by a fierce desire towards wholeness, creates a structural edifice which negates itself through an ambiguous language “where nothing is as it seems”. We use four case studies to suggest that, beyond Schnittke’s inherently representative aspects, imprints of ambiguity, stress, and failure are totally absorbed by the material, the processes, and structure themselves. Extreme heterogeneities provoke the sustainability of the sonata’s limits, setting crucial questions about preservation, renewal, continuity, and belonging. By discerning a thorough exploitation of the sonata’s two-and-three dimensional aspects as well as its narrative and dramatic potential, we support that the composer outlines a “reversed success-story” moving from Enlightenment’s drama to cultural trauma. The internalized ideological discontinuities and the violent externalizing of his predecessors’ techniques, filtered by Adorno’s musical aesthetics and the composer’s inner imperatives, reveal gaps that nurture cultural and ontological anxiety, alluding both to late capitalism’s and the Soviet regime’s antinomies. Following a path of agony, where “consonance is tested through increasing dissonance,” the ideological disillusionment gets inscribed on the sonata’s narrative and constitutional framework, where failure is sovereign in different levels, offering hermeneutic, ontological reflections as well as prophetic problematizations about the futural sounding world.
Purificando através do fracasso, unindo através da derrota As formas de sonata de Schnittke e a sua lógica estrutural apocalíptica
Neste artigo sugerimos que Schnittke cria paráfrases imaginativas da forma sonata que são disfarçadas ao longo dos movimentos de suas obras e são apoiadas por uma rede de reversões. Através da codificação de linhas comuns de lógica temática, funcional, gestual e de desenvolvimento, em combinação com teorias sobre o par sonata-tonalidade, bem como sobre os reflexos ideológicos de padrões pivotais da cultura ocidental moderna, argumentamos que o compositor, impulsionado por um forte desejo de integralidade, cria um edifício estrutural que se nega através de uma linguagem ambígua, “onde nada é como parece ser”. Utilizamos quatro estudos de caso para sugerir que, para além dos aspectos intrinsecamente representativos de Schnittke, impressões de ambiguidade, stress e fracasso são totalmente absorvidas pelo material, pelos processos e pela própria estrutura. As heterogeneidades extremas geram a sustentação dos limites da sonata, estabelecendo questões cruciais sobre preservação, renovação, continuidade, e pertencimento. Ao discernir uma exploração minuciosa dos aspectos bidimensional e tridimensional da sonata, bem como de sua narrativa e potencial dramático, defendemos que o compositor esboça uma “história de sucesso invertida”, passando do drama do Iluminismo para o trauma cultural. As descontinuidades ideológicas internalizadas e a violenta externalização das técnicas dos seus antecessores, filtradas pela estética musical de Adorno e pelos imperativos interiores do compositor, revelam lacunas que alimentam a ansiedade cultural e ontológica, aludindo tanto às antinomias do capitalismo tardio como às do regime soviético. Seguindo um caminho de agonia, onde “a consonância é testada através de dissonâncias crescentes”, a desilusão ideológica fica inscrita na narrativa e na moldura constitutiva da sonata, onde o fracasso é soberano em diferentes níveis, oferecendo reflexões hermenêuticas, ontológicas, bem como problemáticas proféticas sobre o mundo sonoro do futuro.
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