Comunicação oral
Fonte: Simpósio Brasileiro de Pós-Graduandos em Música, ___(edição)___, 2016
Portamento como escolha estética na gravação histórica do Andante do Concerto Op.3 de Serge Koussevitzky
Alfredo Ribeiro
Resumo
Estudo sobre a utilização do recurso interpretativo portamento na gravação histórica de 1929 do Andante (KOUSSEVITZKY; LUBOSHUTZ, 1929), que constitui o segundo movimento do Concerto Op.3 para Contrabaixo e Orquestra de Serge Koussevitzky. A análise espectrográfica sonora, amparada pela análise formal da partitura editada por WALTER (2000), permite compreender as escolhas estéticas feitas pelo compositor-intérprete. O cotejamento das ocorrências de três tipos de portamento, aqui nomeados de portamento inicial (PI), portamento com nota intermediária (PNI) e portamento conclusivo (PC), revela dados que apontam para uma utilização massiva deste efeito de articulação, prática hoje considerada ultrapassada ou de mau gosto (GREEN, 2005). O grande número de recorrências de portamento na Seção B do Andante, aliado a um significativo aumento do andamento, confere mais tensão e contraste com a Seção A e Seção A’, o que enfatiza e deixa mais claro para o ouvinte a forma ternária (ou forma canção). A análise espectrográfica revela uma predominância do terceiro tipo, o portamento conclusivo. As recorrências de portamenti em trechos equivalentes da forma (como repetições de frases e recapitulação de seções) apontam para um planejamento que contribui para uma unidade interpretativa de Koussevitzky em sua própria obra. Quanto à direção intervalar, nota-se um equilíbrio entre portamenti ascendentes e descendentes, equilíbrio que deu lugar, como se percebe nos dias de hoje, há um grande predomínio dos portamenti ascendentes. Uma comparação qualitativa entre as práticas de performance de Koussevitzky em 1929 e as práticas de performance consolidadas hoje entre os instrumentistas da família do violino mostra, por um lado, o abandono da variedade de tipos de portamento e, por outro, a continuidade e hegemonia do um estilo interpretativo no qual se prefere o portamento mais ascendente e mais discreto.
Aesthetic Choices of Portamento in the Historical Recording of Serge Koussevitzky’s Andante
Study about the use of the interpretive resource of the portamento in the 1929 landmark double bass recording of Andante (KOUSSEVITZKY; LUBOSHUTZ, 1929), which is the second movement from Serge Koussevitzky’s Concerto Op.3 for Double bass and Orchestra. The spectrographic sound analysis, sided by the formal analysis of the score, helps to understand the aesthetic choices of the composer-bassist. The pairing of the occurrences of three portamento types, here named inicial portamento (PI), portamento with intermediate note (PNI) and conclusive portamento (PC), yields data that point to a massive use of this articulation effect, a practice today considered out of fashion or of bad taste (GREEN, 2005). The great number of occurrences of portamenti in Section B, coupled with a significant increase of tempo, gives more tension and adds contrast to Section A and Section A’ and thus emphasize the ternary form (the lied form). The spectrographic analysis reveals a predominance of the third type, the conclusive portamento. The recurrences of portamenti in equivalent passages of the form (such as repetitions of phrases and recapitulation of a section) point to a planned outline that gives unity to Koussevitzky rendition of his own work. About the portamenti direction, we can note a balance between ascending and descending portamenti, balance that was replaced, as can be seen these days by the predominance of ascending portamenti. A qualitative comparison between the performance practices by Koussevitzky in 1929 and that of instrumentalists of the violin today shows, on one hand, the abandonment of the variety of portamento types and, on the other, the continuity and hegemony of an interpretive style which favors the ascending and more discrete portamento.
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