Artigo em periódico

Fonte: Revista Brasileira de Música, ___(edição)___, 2015

Por uma ciência indisciplinada da música

Denis Laborde

Resumo

Nesta contribuição, a palavra musicologia significa “a ciência da música” em sua acepção mais ampla, como uma abordagem do conhecimento trazido por disciplinas díspares e que têm em comum a música como objeto de estudo. No entanto, todos os indicadores (cursos universitários, reuniões de especialistas, literatura especializada, maratonas enciclopédicas...) testemunham que aqueles que dedicam suas vidas ao estudo da música não desistem da ideia de construir uma ciência englobante. Nós não desistimos da busca do ideal do conhecimento totalizante, de uma musicologia federativa, rica pela sua variedade infinita de áreas e de especialidades que a integram. Não sonhamos, todavia, com essa musicologia geral que deixou sua marca na França? Crescemos imunes a essa evidência e nossas instituições a administram. É preciso um amálgama que consolide sob uma mesma rubrica os empreendimentos de conhecimentos heterogêneos que, longe de torná-los autônomos no panorama institucional das ciências da música, busque agregá-los sob a reivindicação de que sejam abrigados sob uma denominação comum. Consequentemente, esse esforço de generalização – que visa reunir, sob os auspícios da ciência musicológica, segundo diferentes graus de relevância, os estudos ou as abordagens do conhecimento dos mais diversos – se aparenta muito mais a uma justaposição heteróclita e constantemente mutante de disciplinas instituídas (ou em vias de o serem) do que à implementação de uma abordagem heurística compartilhada. Esta contribuição propõe uma inversão de perspectiva a partir de uma análise de caso.

Pour une science indisciplinée de la musique

Dans cette contribution, le mot musicologie désigne “la science de la musique”, dans son acception la plus large, comme démarche de connaissance portée par des disciplines disparates qui ont en commun d’avoir la musique pour objet. Or, tous les indicateurs (cursus universitaires, rencontres d’experts, ouvrages spécialisés, marathons encyclopédiques...) en portent témoignage: ceux qui consacrent leur vie à l’étude de la musique ne renoncent pas à l’idée de construire une science englobante. Nous ne renonçons pas à l’idéal d’une totalisation des savoirs, d’une musicologie fédératrice, riche de l’infinie diversité des domaines de spécialité qui la composent. Ne rêvons-nous pas encore de cette musicologie générale qui fit la marque distinctive d’une musicologie à la française? Car il faut un ciment, nous avons grandi à l’abri de cette évidence, nos institutions l’administrent. Il faut un ciment pour rassembler sous un même intitulé des entreprises de connaissance disparates qui, loin de s’autonomiser dans le panorama institutionnel des sciences de la musique, cherchent au contraire à s’y agréger et revendiquent pour cela d’être abritées sous un intitulé commun. Il s’ensuit que cet effort de généralisation - qui vise à rassembler sous les auspices de la science musicologique, mais selon des degrés de pertinence variables, les études ou les démarches de connaissance les plus diverses - s’apparente bien davantage à une juxtaposition hétéroclite et sans cesse mouvante de disciplines instituées ou en voie de l’être qu’à la mise en œuvre d’une démarche heuristique partagée. Cette contribution propose d’inverser la perspective à partir d’analyse de cas.

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