Artigo em periódico

Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2018

Por um desemaranhamento do contraponto

Mauricio De Bonis

Resumo

A diversidade das propostas e soluções pedagógicas agrupadas em torno do que se veio a denominar contraponto no ensino musical não elimina um risco comum a grande parte delas, sempre que a falta de clareza sobre um sistema de referência bem definido compromete sua efetividade. O repertório referencial declarado nem sempre é suficiente para sanar tal incongruência, uma vez que muitas das estratégias pedagógicas mais comuns se situam em diametral incompatibilidade com o pensamento musical da época evocada. Faz-se necessária uma revisão crítica dos tratados mais utilizados sob a luz da precisão da abordagem do sistema musical empregado –de cada especificidade referencial dentro dos universos modal e tonal. Da mesma forma, a proposta do ensino por espécies pede uma reavaliação crítica, assim como o exigem as soluções propostas nos tratados que não utilizam essa metodologia. Nesse ponto, reivindicamos uma proposta conceitual de Arnold Schoenberg para uma distinção entre o pensamento homofônico e o pensamento polifônico na música tonal, para expandi-la de modo a revelar apontamentos sobre a especificidade do pensamento melódico e contrapontístico na música modal. Pode-se, assim, embasar uma discussão crítica sobre quais seriam de fato as funções e a efetividade de uma proposta pedagógica dessa ordem na formação musical hoje.

Counterpoint Unravelled

The diversity of pedagogical proposals and solutions grouped around what has cometo be called counterpoint in music education does not eliminate a common issue shared by most: the lack of clarity of a well-defined reference system compromises its effectiveness. Defining a referential repertoire is not always sufficient to remedy this incongruity, since many of the most common pedagogical strategies are diametrically incompatible with the musical thought of an era. It is necessary to critically review the most commonly used treatises in light of their precision of the approach of the musical systems employed; of each referential specificity within the modal and tonal systems. Likewise, the teaching approach by species calls for a critical reappraisal, as do the treatises that do not employ this methodology. At this point we bring forth aconcept proposed by Arnold Schoenberg to distinguish homophonic thinking and polyphonic thinking in tonal music as we expand it in order to reveal considerations on the specificity of melodic and contrapuntal thinking in modal music. It is thus possible to base a critical discussion on what would be the functions and effectiveness of a pedagogical proposal of this order in music training today.

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