Tese de Doutorado

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (UFPR), ___(edição)___, 2022

Polca paraguaia instrumental e o violão de sete cordas: o contexto e o fazer musical em Campo Grande, Asunción e Ypacaraí

Julio César Matos Borba

Resumo

Esta tese buscou definir o contexto e o fazer musical da Polca Paraguaia Instrumental, entre os anos de 2016 e 2019, nas cidades de Ypacaraí e Asunción, no Paraguai e Campo Grande, no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul. Para isso, foi realizada uma contextualização histórica tanto no Brasil como no Paraguai, para encontrar os processos transculturais que atravessam o fazer musical da Polca Paraguaia Instrumental (ESCOBAR, 2012) e uma etnografia, utilizando o violão de sete cordas como principal ferramenta de investigação, além da improvisação, recurso sensório-motor como estratégia de convivência musical e a aprendizagem, a partir do conceito de bimusicalidade (HOOD, 1960) e La Clave (PITRE-VÁSQUEZ, 2003; 2014; 2020). Foram encontradas evidências recursivas de um tipo de autonomia do fazer musical, o qual acontece sobre um trasfondo de ação comum aos tocadores deste contexto (VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1997). As características musicais e extramusicais da Polca Paraguaia Instrumental (BLACKING, 1974) foram construídas historicamente, porém são constantemente influenciadas por práticas de experimentação e acoplamentos de musicalidades (MATURANA e VARELA, 2001). Para tocar nos círculos criativos (VARELA, 1994), foi necessário ativar uma escuta polifônica (CHAGAS, 2005) para percepção e expressão deste pesquisador nos grupos de tocadores. Foram encontrados dois tipos de sistema de expressão da Polca Paraguaia Instrumental: o primeiro, fechado com elementos situados historicamente no contexto local e, o sistema aberto, quando os músicos ativam intencionalmente a sobreposição de musicalidades incorporadas através da experiência (MERLEAU-PONTY, 1999). O fazer musical se revelou como um processo de aprendizagem humanizador, quando a vida em comunidade ganha novos sentidos, por meio da colaboração, do acolhimento e do respeito mútuo, um espaço para preservar identificações sonoras e problematizá-las através de ações intencionais (FREIRE, 1996). Este tipo de prática comunitária possibilita a formação de músicos responsáveis e éticos em relação à coletividade, com recursos técnico-musicais, para possibilitar uma inserção de maneira criativa nos grupos musicais.

This thesis aimed to explain the musical making of the Instrumental Polka Paraguaya between 2016 and 2019, in the cities of the Ypacaraí and Asunción in Paraguay and Campo Grande, in the Brazilian state of Mato Grosso do Sul. For reaching that, an ethnographic process was carried out by using the seven-string acoustic guitar as the main research tool, in addition to improvisation, a sensorimotor resource as a strategy for musical coexistence and the learning of this musicality (HOOD, 1960) and La Clave (PITRE-VÁSQUEZ, 2003; 2014; 2020). To build the research object it was necessary to develop a historical contextualization of the Polka Paraguaya, both in Brazil and Paraguay, to find the transcultural processes that cross the musical making of the Instrumental Polka Paraguaya (ESCOBAR, 2012). Recursive evidence was found of a type of autonomy in music making, which takes place against a background of common action to players in this context (VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1997). The musical and extra-musical characteristics of the Instrumental Polka Paraguaya (BLACKING, 1974) were built historically, but are constantly influenced by experimentation practices and musicality coupling (MATURANA and VARELA, 2001). To play in creative circles (VARELA, 1994) it was necessary to activate polyphonic listening (CHAGAS, 2005) to listen and express themselves in groups of players. Two types of expression system of Polka Paraguaya Instrumental were found, the first closed with elements historically situated in the context and the open system, when musicians intentionally activate the overlapping of musicality incorporated through experience (MERLEAU-PONTY, 1999). Making music revealed itself as a humanizing learning process, when community life gets new meanings through collaboration, acceptance and mutual respect, a space to preserve sound identifications and problematize them through intentional actions (FREIRE, 1996). This type of community practice enables the formation of responsible and ethical musicians in relation to the community, with technical-musical resources, to enable a creative insertion in musical groups.

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