Dissertação de Mestrado
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (Udesc), ___(edição)___, 2021
Pierrot Lunaire e o Dante Negro: Um ciclo de canções para voz e grupo de câmara
Silvio Mansani da Silva
Palavras-chave
Resumo
O objetivo principal dessa pesquisa foi a criação de uma obra camerística para voz e instrumentos (flauta, clarinete, violino, violoncelo e violão), intitulada Dante Negro, com poemas de Cruz e Sousa e música inspirada na obra Pierrot Lunaire, de Arnold Schoenberg. Do ponto de vista teórico, a aproximação desses artistas tão distintos foi ancorada por convergências estéticas, tais como o estilo simbolista dos textos poéticos e as características dos versos mais radicais de Cruz e Sousa que antecipam técnicas deformadoras típicas das vanguardas modernistas, como o Expressionismo alemão. No ponto central desse encontro está o Sprechgesang, um modo exagerado de entonação que se tornou a marca vocal da música expressionista da segunda escola de Viena e que prenunciou uma revolução nos modos de uso da voz na música do século XX. Posicionado numa zona intermediária entre a fala e o canto, é o Sprechgesang que permite com que Pierrot Lunaire acomode a forma declamativa do melodrama em um ciclo de canções. Dante Negro, por sua vez, emula a fórmula de Pierrot, seja no plano da voz, da instrumentação ou da harmonia, livremente inspirada nas sonoridades atonais da segunda escola de Viena e rigorosamente comprometida com a estrutura dos sonetos de Cruz e Souza, de modo a resultar numa obra vocal que prioriza o aspecto semântico do discurso verbal.
The main objective of this research was the creation of a chamber music work for voice and instruments (flute, clarinet, violin, cello and guitar), entitled Dante Negro, with poems by Cruz e Sousa and music inspired by the work Pierrot Lunaire, by Arnold Schoenberg. From a theoretical point of view, the approach of these very different artists was anchored by aesthetic convergences, such as the Symbolist style of the poetic texts and the characteristics of the more radical verses by Cruz e Sousa that anticipate deforming techniques typical of modernist avant-gardes, such as German Expressionism. At the center of this meeting is the Sprechgesang, an exaggerated mode of intonation that became the vocal hallmark of expressionist music of the second school in Vienna and that heralded a revolution in the ways of using the voice in 20th century music. Positioned in an intermediate zone between speech and singing, it is the Sprechgesang that allows Pierrot Lunaire to accommodate the declamatory form of melodrama in a song cycle. Dante Negro, in turn, emulates Pierrot's formula, whether in terms of voice, instrumentation or harmony, freely inspired by the atonal sounds of the second school in Vienna and rigorously committed to the structure of Cruz e Souza's sonnets, in such a way resulting in a vocal work that prioritizes the semantic aspect of verbal discourse.
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