Artigo em periódico
Fonte: Música e Cultura, ___(edição)___, 2021
Os primeiros a parar e os últimos a voltar: trabalhadores da cultura no Brasil em tempos de COVID-19
Lorena Avellar de Muniagurria
Resumo
Neste ensaio, discuto a situação vivida durante a pandemia causada pelo vírus COVID-19 por pessoas que trabalham na área da cultura no Brasil. Primeiramente, caracterizo o setor cultural mostrando sua participação na economia brasileira, bem como as desigualdades que historicamente constituem o setor. Veremos que, apesar de sua importância simbólica e econômica, trata-se de uma área profissional com altos índices de informalidade que, mesmo antes do COVID-19, enfrentava o aumento da precarização bem como um ambiente de crescente intolerância e censura. Na segunda parte do ensaio, trato do contexto da pandemia e suas consequências para os trabalhadores da cultura, que foram um dos primeiros grupos “a parar” e estão entre os últimos que poderão retomar suas atividades. Discuto como as ações emergenciais desenvolvidas até o momento, se bem importantes, não são suficientes para dar conta do problema e, em alguns casos, chegam inclusive a reforçar desigualdades preexistentes. Finalizo com uma breve reflexão sobre os futuros que se perfilam e a necessidade de desenvolvermos novas ferramentas de análise e observação que nos permitam pensar os modos de existência em cenários de precariedade e de “fim de mundo” como os que se apresentam hoje em dia.
In this essay, I discuss the experience of people working in the field of culture in Brazil during the pandemic caused by the COVID-19 virus. First, I characterize the cultural sector, showing its participation in the Brazilian economy, as well as the inequalities that historically constitute the sector. We will see that, despite its symbolic and economic importance, it is a professional area with high levels of informality that, even before COVID-19, faced increasing precariousness as well as an environment of growing intolerance and censorship. In the second part of the essay, I deal with the context of the pandemic and its consequences for cultural workers, who were one of the first groups “to stop” and are among the last to be able to resume their activities. I discuss how the emergency actions developed so far, although very important, are insufficient to deal with the problem and, in some cases, even reinforce pre-existing inequalities. I conclude with a brief reflection on the future that lies ahead and the need to develop new analyses and observational tools that allow us to think about the modes of existence in precarious and “end of the world” scenarios, such as those present today.
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