Artigo em periódico
Fonte: Per Musi, ___(edição)___, 2022
Os arcos barroco, de transição e moderno sob a égide positivista: uma discussão sobre o conceito de evolução tradicionalmente aplicado ao desenvolvimento do arco de violino
Adonhiran Reis, Marcus Held
Resumo
Na historiografia do arco de violino, é comum defrontar-se com a concepção de uma sequência linear e progressiva em seu desenvolvimento no transcorrer dos séculos, marcada pelo aperfeiçoamento de um espécime rudimentar rumo à perfeição do arco moderno. Violinistas referenciais do século XIX, como Woldemar e Baillot, bem como o historiador Fétis, desenvolveram quadros que ensejam a caracterização de uma evolução do arco. Trata-se, no entanto, de uma noção marcada pelo pensamento positivista. Essas imagens, amplamente reproduzidas em livros e artigos, cristalizaram uma realidade distinta daquela apresentada pela tratadística e pela iconografia dos séculos XVII ao XIX. Neste artigo, procuramos demonstrar, por meio de extensa revisão bibliográfica e análise iconográfica, que inúmeros modelos de arco coexistiram na prática musical entre 1600 e 1850 – tendo em vista a diversidade das necessidades impostas pelos instrumentistas, gêneros e estilos –, e que uma compreensão histórica destes, somente através de um prisma evolutivo, seria reducionista.
Baroque, transitional, and modern bows under the positivist aegis: a discussion of the concept of evolution traditionally applied to the development of the violin bow
In violin bow history, it is usual to face the conception of a linear and progressive sequence over the course of its development through the centuries; a sequence marked by the refinement of somewhat rudimentary specimen into the perfection of the modern bow. Reference violinists from the 19th century, such as Woldemar and Baillot, as well as the historian Fétis, developed charts signaling the characterization of a bow evolution. This is, however, a notion marked by the positivist thought. These images, largely reproduced in books and articles, solidified a reality different from that presented by treatises and iconography from the 17th to the 19th century. In this article, we aim to show, through comprehensive bibliographic review and iconographic analysis, that various bow models coexisted in musical practices between 1600 and 1850–bearing in mind the diversity of needs imposed by instrumentalists, genres, and styles–, and that a historical understanding of these features, through an evolutionist view, would be reductionist.
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