Dissertação de Mestrado

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (Udesc), ___(edição)___, 2017

O violino na obra de John Cage: análise dos processos composicionais e notacionais

Ana Letícia Crozetta Zomer

Resumo

A presente pesquisa busca realizar uma análise dos processos composicionais de diferentes obras que contenham escrita para violino compostas por John Cage (1912-1992) entre o período de 1932 a 1992, a fim de traçar o curso das transformações da notação musical e o desenvolvimento do uso deste instrumento na trajetória artística do compositor. Para isso, sete obras foram selecionadas - Six Short Inventions (1958), Six melodies (1950), 26′1.1499” for a String Player (1955), Atlas Eclipticalis (1961-1962), Cheap Imitation for violin solo (1977), Freeman Etudes I - XVI (1977-1980) e Two6 (1992) - pertencentes a diferentes fases composicionais de Cage segundo a definição de Solomon (1998, 2002). Cada obra é contextualizada, abordando alguns aspectos da trajetória de Cage, seus pensamentos estético-filosóficos e a influência de algumas colaborações pessoais durante certos períodos de tempo. A análise musical é realizada através da abordagem de aspectos formais e estruturais da obra a partir da investigação dos processos composicionais, de eventos sonoros tais como alturas de notas e/ou ruídos, de elementos rítmicos e timbrísticos. A pesquisa objetiva revelar detalhes a respeito das transformações estético-filosóficas do compositor e como elas estão diretamente refletidas nos aspectos notacionais, técnicos e interpretativos do violino na obra do compositor. Apontaremos semelhanças e distanciamentos através das análises comparativas entre as obras, a fim de contribuir para reflexões a respeito de possíveis concepções interpretativas. Diante disso, a proposta justifica-se pelo esclarecimento de aspectos estéticos, composicionais, estruturais, técnicos, interpretativos e ainda, por contribuir com a bibliografia sobre John Cage, repertório violinístico, música do século XX e performance musical contemporânea.

The present research aims to realize an analysis of the compositional processes of different works for violin composed by John Cage (1912-1992) between the period from 1932 to 1992, in order to trace the course of notational transformations and the development of the utilization of this instrument in the artistic trajectory of the composer. Seven works were selected - Six Short Inventions (1958), Six Melodies (1950), 26’1.1499” for a String Player (1955), Atlas Eclipticalis (1961-1962), Cheap Imitation for Violin Solo (1977) Freeman Etudes I – XVI (1977-1980) and Two6 (1992) – belonging to different compositional phases of Cage, according to Solomon’s definition (1998, 2002). Each work is contextualized, approaching some aspects of Cage’s trajectory, his aesthetic-philosophical thoughts and the influence of some personal collaborations during certain periods of time. The musical analysis is carried out through the approach of formal and structural aspects of the work, from the investigation of the compositional processes, of sound events such as pitches of notes and/or noises, of rhythmic and timbral elements. The research aims to reveal details about the aesthetic-philosophical transformations of the composer and how they are directly reflected in the notational, technical and interpretative aspects of the violin in the composer’s work. We will point out similarities and distances through the comparative analyzes between the works, in order to contribute to reflections on possible interpretive conceptions. In view of this, the proposal is justified by the clarification of aesthetic, compositional, structural, technical, and interpretative aspects, as well as contributing to the bibliography on John Cage, violin repertoire, 20th century music and contemporary musical performance.

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