Resenha em periódico
Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2022
O mundo (re)criado por Vinci de Moraes
Marília do Espírito Santo Carvalho
Palavras-chave
Resumo
O presente texto é uma resenha de Criar um mundo do nada: a invenção de uma historiografia da música popular do Brasil, de José Geraldo Vinci de Moraes, publicação de 2019 que integra a Coleção Entr(H)istória, do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo em parceria com a Editora Intermeios. O livro resulta da tese de livre-docência defendida por Vinci de Moraes em 2017 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e discorre sobre a atuação de cronistas e memorialistas na construção da historiografia da música popular do Brasil. Esse assunto se inscreve numa reflexão mais ampla, que perpassa todo o trabalho, sobre os limites e conflitos entre memória e história. Conforme detalha as trajetórias de Almirante, Ary Vasconcelos, Edigar de Alencar, Jota Efegê, Lúcio Rangel, Vagalume, entre outros personagens, Vinci de Moraes vai sublinhando os caminhos e mecanismos de construção da narrativa hoje hegemônica sobre a música popular brasileira. Ao longo dos oito capítulos, o autor apresenta a constituição dessa historiografia como um extraordinário processo criativo iniciado por volta dos anos 1930, a partir de um discurso inicialmente marginal, até atingir, na década de 1970, reconhecimento institucional e formalidade intelectual, passando a compor o imaginário cultural do país. Se os personagens investigados foram capazes de “criar um mundo do nada”, o trabalho de Vinci de Moraes recria esse mundo, na medida em que propõe uma interpretação desse processo. É mais um fio dessa grande trama de invenções historiográficas.
The world (re)created by Vinci de Moraes
This is a review of Criar um mundo do nada: A invenção de uma historiografia da música popular do Brasil (“Creating a world from nothing: The invention of a historiography of Brazilian popular music”), by José Geraldo Vinci de Moraes published in 2019 as part of the Entr(H)istória Collection of the Graduate Program in Social History at the University of São Paulo in partnership with Intermeios. The book is the result of a habilitation thesis defended by Vinci de Moraes in 2017 at the Faculty of Philosophy, Letters and Human Sciences at USP (FFLCH-USP) and discusses the role of chroniclers and memorialists in the construction of the historiography of popular music in Brazil. This subject is part of a broader reflection, which permeates the entire work, on the limits and conflicts between memory and history. As he details the trajectories of Almirante, Ary Vasconcelos, Edigar de Alencar, Jota Efegê, Lúcio Rangel, Vagalume, among other influential players, Vinci de Moraes underlines the paths and mechanisms of constructing the now hegemonic narrative on Brazilian popular music. Over eight chapters, the author describes the makeup of this historiography as an extraordinary creative process beginning around the 1930s, initially from a marginal discourse, until reaching, in the 1970s, institutional recognition and intellectual formality, ultimately comprising the cultural imaginary of this country. If the players investigated were able to “create a world from nothing”, Vinci de Moraes’ work recreates this world, as he presents an interpretation of the process. It is one more thread within the large web of historiographical inventions.
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