Artigo em periódico

Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2021

O mistério d’O mistério do samba: o paradigma da mediação e a produção racializada de silêncios na memória hegemônica da “Música Popular Brasileira” (1960-2017)

Lurian José Reis da Silva Lima

Resumo

Este artigo descreve e analisa a forma e o percurso histórico de um paradigma interpretativo da história da chamada “música popular brasileira”, que o autor denomina “paradigma da mediação”, e que tem como principais características a concepção de cultura nacional como fruto de misturas raciais e o reconhecimento desigual do papel desempenhado pelos sujeitos na história de acordo com sua raça. Para tanto, faz-se uma revisão crítica da historiografia da música popular (1960-2017) e de uma análise da produção dos Depoimentos para a Posteridade do Museu da Imagem do Som do Rio Janeiro (1966-1972), um importante acervo de fontes orais utilizado na construção dessa historiografia. Constrói-se, a partir das evidências históricas apresentadas, a hipótese de que este paradigma constitui uma forma racializada de autoinscrição na história, com a qual se promove um entendimento conservador da operação da raça na sociedade brasileira, historicamente caro aos grupos dirigentes do país no século XX.

The mystery of the Mystery of samba: the mediation paradigm and the racialized production of silence in the hegemonic memory of “Brazilian popular music” (1960-2017)

This paper describes and analyzes the form and development of an interpretative paradigm of the history of the so-called “Brazilian Popular music”, which the author denominates “mediation paradigm” and whose main characteristics are the conception of national culture as the result of racial mixture and the unequal recognition of the role played by subjects in history according to their race. This study is based on a critical review of the historiography of popular music in Brazil (1960-2017) and an analysis of the series “Depoimentos para a Posteridade” [Testimonials for Posterity] of the Museum of Sound Image of Rio de Janeiro (1966-1972), an important collection of oral sources used in the construction of the historiography. Based on the historical evidence presented, the hypothesis is that this paradigm constitutes a racialized form of self-inscription in history, which promotes a conservative understanding of the agency of race in Brazilian society, a belief supported by the Brazil’s twentieth-century ruling groups.

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