Comunicação oral
Fonte: Seminário de Pesquisa em Música, ___(edição)___, 2015
O estudo de entrevistas com professores de instrumento: ouvir o outro e descobrir o novo
Raíssa Bisinoto Matias
Palavras-chave
Resumo
Este artigo visa demostrar como o estudo de entrevistas contribuiu para a transformação do meu olhar de pesquisadora durante o processo de elaboração do trabalho de mestrado sobre a percepção de professores a respeito da implementação do ensino em grupo em uma escola de música. A experiência de “estranhar o familiar” (ARROYO, 1999; KINGSBURY, 1988) demonstrou-se reveladora, e seus resultados vieram, em muitos aspectos, contrariar a forma de pensar que eu havia construído como ex-aluna da instituição, e como professora da mesma por 4 anos. A abertura ao novo, pressuposto para quem se propõe a realizar uma pesquisa qualitativa (STAKE, 2011), fez-se porta de entrada para o contato com as particularidades do campo de pesquisa e dos professores entrevistados. O alinhamento com críticas às características herdadas do conservatório presentes em publicações (HARDER, 2003; JORQUERA JARAMILLO, 2006, 2010; PENA, 2010; PEREIRA, 2012; VIEIRA, 2000), juntamente com minha experiência pessoal, me levavam a crer que já sabia o que os professores da escola investigada falariam sobre o uso do ensino em grupo, que na minha visão seria, inevitavelmente, algo derivado da herança do modelo conservatorial. Quando, para minha surpresa, estes professores revelaram em seus depoimentos uma abertura e uma consciência sobre o ensino de instrumentos bem diferentes do imaginado, falando sobre questões como a partitura, o repertório, a criatividade, a autoestima, o talento, a auto-avaliação e o ensino em grupo de forma diferente do que parecia ser um consenso entre os professores de conservatório.
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