Artigo em periódico

Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2018

O errado que deu certo: Deu onda, o debate da harmonia e a construção da batida numa produção paulistana de funk carioca

Adriana Facina, Renan Ribeiro Moutinho, Dennis Novaes, Carlos Palombini

Resumo

Em 21 de dezembro de 2016 o MC G15 lançou no canal KondZilla do YouTube o vídeo de Deu onda, produção musical do DJ Jorgin, que rapidamente atingiu três milhões e meio de visualizações diárias. Ao mesmo tempo, desenrolava-se nas redes sociais e expandia-se para a mídia corporativa uma polêmica, inédita no funk carioca, acerca da harmonia da música. Antropologia e análise musical refutam a ideia de bitonalidade para situar o debate na arena dos conflitos entre “mundos da arte” (BECKER, 1982) entrecruzados. A “tecnologia de encantamento” (GELL, 1999) de Deu onda envolve: (1) a construção da textura por meio de seis linhas cíclicas, em ciclos de um, dois ou quatro compassos, combinadas com quatro linhas acíclicas; (2) a organização de dois subgrupos de linhas, ou “tramas”, harmonicamente complementares, com funções diversas; (3) a articulação das seções por meio de seis tipos de breques; (4) o recurso a três ordens de variações da textura; (5) a sobreposição de uma figura rítmica característica do reggae a outra típica do funk carioca; (6) a aplicação a toda a melodia de um esquema harmônico concebido emfunção da primeira frase; (7) a evocação “afrofuturista” (ESHUN, 2003) de uma roda de funk; e (8) jogos de sentidos que fazem a música deslizar entre subgêneros distintos. O debate público acerca da bitonalidade de Deu onda contribuiu para generalizar a preocupação harmônica entre os DJs-produtores do “mundo funk” (VIANNA, 1988).

The Wrong that Turned Out Right: Deu onda, the Debate on Harmony and the Construction of the Beat in a São Paulo Production of Funk Carioca

On 21 December 2016, MC G15 released the music video of Deu onda, produced by DJ Jorgin, on the KondZilla YouTube channel, which quickly reached the scale of three and a half million views per day. Meanwhile, an unexpected controversy over the harmony of the track developed on social networks and spread to the corporate media. Anthropology and music analysis call into question the idea of bitonality, locating the debate in the arena of conflicts between overlapping “art worlds” (BECKER, 1982). The “enchantment technology” (GELL, 1999) of Deu onda involves: (1) construction of the texture by means of six cyclic lines, in cycles of one, two or four bars, combined with four acyclic lines; (2) organization of two harmonically complementary subgroups of lines, or threads, with different functions; (3) articulation of sections by means of six types of breques (breaks); (4) recourse to three orders of textural variation; (5) superimposition of a reggae rhythmic figure on afunk carioca figure; (6) applying to the whole melody a harmonic scheme devised for the firstphrase; (7) evocation of an Afrofuturist (ESHUN, 2003) roda de funk(funk circle); and (8) semanticgames that make the song slide between distinct subgenres. The public debate about the bitonality ofDeu ondacontributed to render producer-DJs of the Brazilian “funk world” (VIANNA, 1988) moresusceptible to harmonic concerns.

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