Artigo em periódico
Fonte: Revista Música, ___(edição)___, 2018
O discurso musical do século XVIII: emulações retóricas na obra de Francesco Geminiani (1687-1762)
Marcus Held
Palavras-chave
Resumo
Na literatura dos séculos XVII e XVIII, centenas de tratados dedicados à composição, interpretação, ensino e reflexão musicais foram publicados e difundidos por todo o continente Europeu. Tais obras, que variam enormemente em relação à metodologia abordada por seus autores, costumam, frequentemente, trazer consigo a noção de que a música é análoga ao discurso verbal, ambos guiados pelas regras da retórica, e que sua finalidade seja ensinar, deleitar e mover o ouvinte. No caso de Francesco Geminiani (1687-1762), esta mesma ideia pode ser lida em sua obra tratadística. Neste artigo, pretende-se discorrer sobre diversas emulações retóricas almejadas por Geminiani (1687-1762) em sua obra tratadística, sobretudo nas Regras para tocar com verdadeiro gosto (c.1748), Tratado sobre o bom gosto na arte da música (1749) e A arte de tocar violino (1751). Nesses tratados, o autor não apenas alinhou-se às correntes de pensamento de sua época, representadas por Batteux, Hume e Montesquieu – na filosofia – e por Quantz, C. P. E. Bach e L. Mozart – na música –, mas também recuperou acepções do discurso falado, escrito e proferido, presentes nas retóricas clássicas De Oratore, de Cícero, e Institutio Oratoria, de Quintiliano. Observaremos que, no tocante à discussão filosófico-musical setecentista em torno da tópica do Gosto – lugar-comum no conjunto total de sua tratadística –, Geminiani apoia-se na recuperação e no debate de diversos preceitos sobre imaginação, juízo, decoro, ornamentação, performance e recepção, abordados pelos autores mencionados, tornando, assim, evidente sua visão da composição musical espelhada no discurso retórico.
The eighteenth century musical discourse: Rhetorical emulations in the oeuvre of Francesco Geminiani (1687-1762)
In the literature of seventeenth and eighteenth centuries, hundreds of treatises on musical composition, performance, pedagogy and speculation were published and widespread throughout European continent. Those works, which vary enormously in regard to the methodology used by their authors, often use to bring the notion of music as analogue to the verbal speech, both guided by the rules of rhetoric, which its aim is to instruct, delight and move its listener. In the case of Francesco Geminiani (1687-1762), the same idea can be read in his treatises, mainly in Rules for playing in a true taste (c. 1748), A treatise of good taste in the art of musick (1749) and The art of playing on the violin (1751). In those works, the author has not only got himself connected to the currents of thought of his time, represented by Batteux, Hume and Montesquieu – in philosophy – and by Quantz, C. P. E. Bach and L. Mozart – in music –, but also recovered meanings of oral, written and delivered speech, present amongst the classics De Oratore, by Cicero, and Institutio Oratoria, by Quintilian. It will be observed that, in relation to eighteenth century philosophical and musical debates on Taste – commonplace in his treatises –, Geminiani is based on the recovery and the discussion of several precepts about imagination, judgement, decorum, ornamentation, performance and reception, approached by the above-mentioned authors. It is therefore evident his view of musical composition mirrored on rhetorical discourse.
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