Artigo em periódico

Fonte: Musica Theorica, ___(edição)___, 2023

O comentário composicional enquanto meio de desvelar funcionalidades harmônicas latentes: exposição do método e comentário sobre o Op. 19/6 de Schoenberg

Francisco Zmekhol Nascimento de Oliveira, Max Packer

Resumo

Desde o abandono da tonalidade funcional entre 1908 e 1909, por parte de Schoenberg, Scriabin, Ives e outros, a questão sobre se a tonalidade não continuaria a participar subjacentemente de suas obras tem sido colocada por diversos autores. Frente a essa antiga discussão, o presente artigo objetiva apresentar um procedimento analítico que entendemos ser particularmente adequado ao reconhecimento e à evidenciação, em obras tidas como pós-tonais, de relações funcionais locais e de larga escala que se deem a posteriori. Metodologicamente fundado (1) sobre um experimento do Harmonielehre de Schoenberg (1922) e (2) sobre a prática beriana do comentário composicional (Berio 2006), tal procedimento consiste, basicamente, em acrescentar à obra analisada (de resto intacta) uma linha instrumental que opere, em cada formação harmônica dissonante, preparações e resoluções que demonstrem como tal formação poderia ter acontecido ainda no seio de uma tonalidade pré-1908. Para além de que (1) relações funcionais se possam estabelecer a posteriori, assumimos ainda por pressupostos teóricos: (2) que funcionalidades a posteriori tendam a ser difusas (Oliveira 2018); e (3) que a emancipação da dissonância se trate de um processo histórico ocorrido sobretudo no seio da tonalidade funcional, motivo pelo qual preparações e resoluções de formações dissonantes (i. e., a reversão de um processo emancipatório) seriam eficazes em remetê-las a estágios anteriores da tonalidade. Após expormos o funcionamento de nosso procedimento nos compassos iniciais do Op. 11/1 (1909) de Schoenberg, realizamos uma análise minuciosa do Op. 19/6 (1911), por meio da qual demonstramos como a obra comporta, virtual e difusamente, um plano tonal surpreendentemente convencional.

Compositional commentary as a means of revealing latent harmonic functionalities: exposition of the method and commentary on Schoenberg’s Op. 19/6

Since the abandonment of functional tonality by Schoenberg, Scriabin, Ives and others between the years of 1908 and 1909, several authors have enquired whether there would be an underlying participation of tonality in the works by such composers. In view of this old discussion, this paper aims at presenting an analytical procedure which we understand to be particularly adequate in recognizing and disclosing a posteriori functional relations (both local and large-scale ones) in the so called post-tonal music. This procedure is methodologically based (1) on an experiment by Schoenberg in his Harmonielehre (1922) and (2) on Luciano Berio’s practice of compositional commentary (Berio 2006) and it consists, basically, in adding to the analyzed work (which rests otherwise intact) an instrumental line that performs, in each dissonant harmonic formation, preparations and resolutions intended to demonstrate how such formation could have happened within a pre-1908 tonality. Besides considering (1) that functional relations can be established a posteriori, we also assume as theoretical assumptions: (2) that a posteriori functionalities tend to be fuzzy (Oliveira 2018); and (3) that the emancipation of the dissonance would be a historical process occurred mainly within functional tonality itself – which is why preparations and resolutions of dissonant formations (i. e., the reversal of their emancipatory processes) would be effective in reporting them to previous stages of tonality. After explaining, within the opening bars of Schoenberg’s Op. 11/1 (1909), how our procedure effectively works, we present a thorough analysis of his Op. 19/6 (1911), through which we demonstrate how the work comprises, virtually and in a fuzzy way, a surprisingly conventional tonal scheme.

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