Artigo em periódico
Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2022
O caminho para a renovação de um discurso: Carlos Gomes e Maria Tudor no cenário da ópera italiana
Isaac William Kerr, Lenita Waldige Mendes Nogueira, Marcos da Cunha Lopes Virmond
Palavras-chave
Resumo
Neste artigo propomos uma dupla discussão sobre a estética de Gomes em sua ópera Maria Tudor. Primeiramente, desejamos atualizar as pesquisas musicológicas sobre as novas descobertas da contribuição de Carlos Gomes como artífice privilegiado de um período de profundas transformações pelas quais passou a ópera italiana na segunda metade do século XIX. O sucesso conquistado por Gomes por meio de algumas de suas óperas ainda eclipsa suas maiores contribuições contidas em óperas esquecidas. Em um segundo momento, propomos revisitar Maria Tudor (1879), considerada seu maior fracasso. Se Maria Tudor permanece na história como ópera ultrapassada pelos procedimentos usados em sua época, por outro lado esconde muito das modificações que a geração de Gomes pretendia para o novo formato de ópera. Consideramos necessário retomar os primeiros autores que publicaram sobre o assunto, como Nicolaisen (1980), Kimbell (1991) e Budden (2002), até autores mais recentes, como Faustini (2007) e Baragwanath (2011). Deu-se também atenção à crítica periodista do secondo ottocento nas figuras de Alberto Mazzucato (Gazzetta Musicale di Milano) e Abramo Basevi (La Musica) para uma necessária contextualização do cenário desse período. Conclui-se que Carlos Gomes sacrificava, quando necessário, versos líricos em favor de recitativos e parlanti para sua protagonista, muito embora não lhe faltem belas melodias. O libreto de Maria Tudor oferecia menos oportunidades de declamação do que Gomes de fato buscava para suas cenas dramaticamente mais intensas. Um caminho incontornável para o discurso que culminará na nova ópera à qual Gomes deu contribuição ímpar.
A pathway to renewing lyric discourse: Carlos Gomes and Maria Tudor in the context of Italian opera
In this article, we offer a dual approach to the discussion on Gomes' aesthetics in his opera Maria Tudor (1879). Firstly, we aspire to update the musicological research on the new findings of Carlos Gomes’s contribution as a privileged craftsman in a period in which Italian opera underwent profound transformation during the second half of the nineteenth century. The considerable success of some of Gomes’ operas still overshadows his greatest contributions contained in forgotten operas. Secondly, we revisit Maria Tudor, considered his greatest failure. If on one hand Maria Tudor remains in history as an outdated opera because of the methods utilized at the time, on the other hand, the work hides many of the changes that Gomes' generation intended for the new opera format. Therefore, we deem it necessary to refer to both the first authors on the subject, e.g., Nicolaisen (1980), Kimbell (1991), and Budden (2002), as well as to more recent authors like Faustini (2007) and Baragwanath (2011). Attention has also been given to the journalistic criticism of the secondo ottocento by figures such as Alberto Mazzucato (Gazzetta Musicale di Milano) and Abramo Basevi (La Musica) to build the crucial contextualization of the period. We conclude that Carlos Gomes produced beautiful melodies for his scenes, sacrificing when necessary, however, lyrical verse in favor of recitatives and parlanti. Maria Tudor's libretto offered fewer opportunities for declamation than Gomes had actually sought for his more dramatic scenes. It is an unavoidable path to the discourse that culminates in the new opera to which Gomes made a singular contribution.
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