Artigo em periódico

Fonte: Revista Vórtex, ___(edição)___, 2023

O Corpo do Tempo: uma leitura de “Prologue” de Gérard Grisey

Silvio Ferraz, William Teixeira

Resumo

Propomos neste artigo uma leitura da primeira peça da suíte Les Espaces Acoustiques, Prologue, escrita em 1976 por Gérard Grisey para viola solo. Considerando que o conjunto de peças constitui-se em uma sistematização musical das técnicas composicionais que viriam a ser aplicadas e desenvolvidas por Grisey no restante da sua obras, esta análise referencia-se por escritos acadêmicos acerca de sua composição e, sobretudo, por escritos do próprio compositor em seus esforços por apresentar conceitualmente a construção epistemológica que subsidia tais procedimentos. Dessa forma, o biomorfismo que lhe serve como constante campo analógico,como em sua noção tripartite de tempo musical (esqueleto, carne e pele do tempo) e em sua proposta de processo formal (inspiração e expiração), é por nós compreendido como campo de operações composicionais e, consequentemente, como critérios analíticos, permitindo-nos propor abordagens interpretativas e aplicações para novos procedimentos composicionais a partir da noção de fluxo de energia.

The Body of Time: a reading of Gérard Grisey's Prologue

In this article, we propose a reading for the first piece of the suite Les Espaces Acoustiques, Prologue, written in 1976 by Gerard Grisey, for solo viola. In considering that this set of pieces constitutes a musical systematization of the compositional techniques that would be applied and developed by Gérard Grisey in the rest of his works, this analysis is referenced by academic writings about Grisey's composition and, above all, by writings by the composer himself in his efforts to conceptually present the epistemological construction that subsidizes such procedures. In this way, the biomorphism that serves him as an analogical field, as in his threefold notion of musical time (skeleton, flesh and skin of time) and in his proposal of a formal process (inspiration and expiration), is understood by us as a f ield of compositional operations and, consequently, as analytical criteria, allowing us to propose interpretative approaches and applications in new compositional processes after the notion of energy flow.

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