Artigo em periódico
Fonte: Musica Theorica, ___(edição)___, 2022
O “processo simbiótico” entre análise e performance e a interlocução entre performer e teórico no estudo da Allemande da Partita n. 5, BWV 829, em Sol Maior para teclas, de J. S. Bach
Renata Coutinho de Barros Correia
Palavras-chave
Resumo
Este artigo oferece contribuição aos estudos em Análise e Performance Musical, evidenciando o potencial da ferramenta de análise schenkeriana na abordagem de questões performáticas. Embasado na proposta de Swinkin (2016), ilustra o emprego da ferramenta analítica de Schenker na produção de metáforas expressivas, bem como a contribuição mútua entre a análise e a performance musical. Responde aos desafios lançados por diferentes especialistas nos estudos em Análise e Performance: a valorização das propostas de modelagem adotadas por performers (gravações), bem como a possibilidade de contribuição mútua entre teórico e performer (Schmalfeldt 1985; Lester 1995; Swinkin 2016). Tem como objeto de estudo a Allemande da Partita n. 5, de J. S. Bach, BWV 829 em Sol Maior (1731), selecionada em função de seus desafios interpretativos. A análise de vozes condutoras é considerada num contexto analítico abrangente, sendo complementada pela observação de eventos métricos e a análise de elementos expressivos advindos de gravações (dinâmica, agrupamentos e agógica). Esta é apoiada no emprego do software Sonic Visualiser. A partir deste software, e com base em gravações de pianistas renomados (András Schiff, Murray Perahia e Claudio Arrau), são oferecidos gráficos das oscilações de dinâmica e representativos da agógica. Tais aspectos são tratados em sua interação com as vozes condutoras, servindo como uma importante base à representação analítica da estrutura musical. Buscamos neste artigo retratar uma possibilidade de “processo simbiótico” entre as atividades da análise e da performance, contribuindo assim para um redimensionamento dos papéis do performer e da análise musical. Os resultados mostram como noções advindas da teoria schenkeriana e a inclusão das ambiguidades interpretativas – de ordem estrutural e expressiva (diferenças interpretativas entre os performers) – tendem a contribuir ao enriquecimento do processo interpretativo do performer.
The “Symbiotic Process” Between Analysis and Performance and the Interlocution Between Performer and Theorist in the Study of J. S. Bach’s Allemande for Keyboard from Partita n. 5, BWV 829 in G major
This paper offers a contribution to analysis and performance studies and highlights the potential of Schenkerian analysis to address performance issues. Based on Swinkin’s proposal (2016), it illustrates how Schenker’s analytical approach trades in expressive metaphors and also explores the mutuality between analysis and musical performance. It answers various challenges that have been leveled by numerous performance/analysis scholars: the enhancement of the shapings adopted by performers (recordings), as well as the possibility of a mutual contribution between theorist and performer (Schmalfeldt 1985; Lester 1995; Swinkin 2016). The object of this study is Allemande from J. S. Bach’s Partita n. 5, BWV 829 in G Major (1731); it was selected because of its interpretive challenges. The voice- leading analysis presented here will be placed in a wide analytical context, complemented by the observation of metric events in addition to the analysis of expressive elements from recordings (dynamics, grouping and agogic) supported by the employment of the Sonic Visualiser software. The software applied to the recordings from renowned pianists (András Schiff, Murray Perahia, and Claudio Arrau) will generate graphs of dynamic variations and representation of agogic. These aspects are approached in interaction with voice-leading processes as they are considered an important foundation of analytical representation of the musical structure. The aim is to illustrate how the interactions take place in a “symbiotic process” between analysis and performance. This process also contributes to strengthening the roles of performer and musical analysis. Results show how notions arising from Schenker's theory and the inclusion of interpretive ambiguities, both structural and expressive - (differences in strategies adopted by performers) - can enrich of a performer´s interpretive development.
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