Comunicação oral
Fonte: Simpósio Brasileiro de Pós-Graduandos em Música, ___(edição)___, 2014
Necessidade de formação musical do engenheiro de áudio responsável pelo registro de músicas
Rodrigo de Castro Lopes
Palavras-chave
Resumo
Este estudo aborda a posição do engenheiro de áudio enquanto mediador do discurso musical, colocando-o como filtro ou lente entre o intérprete e o público final. Por ser uma mediação musical, é traçada uma analogia entre a posição do engenheiro e a posição do intérprete, também um mediador entre a obra e o público. Analisamos as diferenças na prática do músico e do engenheiro de áudio, tanto com relação ao exercício diário, quanto à mediação desempenhada pelos dois, e discorremos sobre como o discurso musical pode ser influenciado pelas ferramentas técnicas utilizadas pelo engenheiro em sua atividade. Observamos também como o entendimento desse discurso favorece a utilização dessas ferramentas. O trabalho do engenheiro de áudio é dividido em etapas, e comentamos como cada uma delas pode interagir com a composição ou arranjo. Em seguida constatamos a escassez de cursos de música dirigidos a esses profissionais para orientá-los na compreensão e domínio das diversas linguagens musicais, de forma a suprir as necessidades específicas da sua atividade profissional, e propomos uma metodologia que incorpora o ensino da música à utilização das ferramentas de áudio. Expomos o conceito de “audição direcionada”, que consiste na audição e estudo de trechos musicais com complexidade progressiva, e descrevemos as etapas a seguir em um programa de treinamento musical para engenheiros de áudio, visando um melhor desempenho e uma maior clareza na sua representação de uma obra musical. Este programa inclui exercícios de audição e exercícios práticos para serem executados utilizando as ferramentas encontradas em estúdios de gravação e mixagem.
This study addresses the sound engineer's position as a middleman in the musical discourse, as filter or lens between the interpreter and his final audience. Since this is a musical mediation, we make a parallel between the engineer's and the interpreter's position, considering the later as a mediator between the musical work and the audience. We analyze the differences both in the musician's and the engineer's daily practice and in their mediation, and we discuss how the musical discourse may be influenced by the technical tools used in the engineer's activity. We also observe how the understanding of the discourse favors the using of the studio tools. The engineer's work is divided into steps, and we comment on how each of them can interact with the composition or arrangement. Then we verify the scarcity of music courses directed to these professionals, aiming to direct them towards the understanding and mastering of the various musical languages, meeting the specific needs of their professional activity, and we propose a methodology incorporating music education and the utilization of audio tools. We present the concept of “directed hearing”, which consists of the hearing and study of musical passages of progressive complexity, and we describe the steps to be followed in a music training program for sound engineers, aiming a better performance and clarity in their presentation of a musical work. The program consists of auditions and practical exercises to be performed using the recording and mixing studio tools.
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