Comunicação oral

Fonte: Simpósio Internacional de Cognição de Artes Musicais, ___(edição)___, 2014

Música e dança: conhecimentos artísticos e enunciados coletivos

Jorge Luiz Schroeder

Resumo

Este trabalho tem como objetivo refletir sobre algumas questões que concernem ao trabalho colaborativo entre musicistas e bailarinas, partindo de uma concepção das manifestações musicais e coreográficas como produtos culturais e, em consequência direta disto, abordando-as nas suas dimensões simbólica e significativa. Tomando como base uma atividade de improvisação coletiva iniciada há quatro anos, com alunas e alunos dos cursos de graduação em dança e música, pretendo refletir principalmente sobre as dificuldades que bailarinas e musicistas mostraram de entender as propostas enunciativas artísticas uns dos outros (movimentos versus músicas). Outro ponto importante são as diferenças entre as formas de falar sobre as próprias atividades (conceitos, noções, termos, expressões e jargão) estabelecidas em cada campo de atividade artística que, embora muitas vezes utilizem termos idênticos (tais como dinâmica, variação, desenvolvimento, frase, células, cores, densidade, força etc.), estes carregam sentidos incompreensíveis e, em certos casos, intransponíveis de uma área a outra. Como trabalho numa instituição de formação de bailarinas e bailarinos (Departamento de Artes Corporais da Unicamp), mantenho durante toda a discussão uma preocupação com os vários papéis da música na formação profissional em dança, ou seja, um pano de fundo educacional.Como fundamentação teórica utilizo as reflexões sobre a linguagem feitas pelo Círculo de Bakhtin, em especial as noções de enunciação e discurso, e as teorias dos campos de atividades sociais e de habitus desenvolvidas por Pierre Bourdieu.

Music and dance: artistic knowledge and collective speech

This paper has the objective to reflect on a few questions relating to the collaborative work between musicians and dancers, from the point of view of the concept of musical and choreographic manifestations as cultural products and, as a direct consequence of this, approaching them in their symbolic and meaningful dimensions. Based on a collective improvisation activity initiated four years ago with graduation students from the courses of dance and music, I intend to reflect on the main difficulties that dancers and musicians have manifested in understanding the artistic enunciative proposals from one another (movements versus music). Another important point is the number of differences between the way to speak about their own activities (concepts, notions, terms, expressions and jargon) established in each artistic field which, although many times using identical terms (such as dynamics, variation, development, phrase, cells, colors, density, strength, etc), carry incomprehensible meanings and, in certain cases, insurmountable meanings from one area to another. As I work in an institution for the formation of dancers (DACO – Department of Body Arts – Unicamp), I keep the concern, throughout this discussion, with the various roles of music in the professional formation in dance, that is, an educational background. As a theoretical foundation, I make use of the reflections on language proposed by the Bakhtin Circle, especially the notions of speech and discourse, and the theories of social activities and habitus developed by Pierre Bourdieu.

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