Comunicação oral
Fonte: Encontro Internacional de Música e Mídia, ___(edição)___, 2014
Música e História no filme “Tangos – O Exílio de Gardel”
Marcel de Oliveira Souza, Scheyla Tizatto dos Santos
Resumo
Os projetos de Estado na América Latina, entre as décadas de 1960 e 1990, foram marcados por uma série de políticas restritivas, entre elas, pela tríade, repressão, censura e violência. Essas ações, que são considerados desdobramentos da ascensão dos regimes ditatoriais, estão inscritas em uma temporalidade que atravessa aproximadamente trinta anos. Não se pode perder de vista as diferenças de gestão de cada país, contudo, é possível traçar cuidadosamente similitudes entre eles, sobretudo no que se refere aos usos sonoros e visuais como suporte para mensagens com caráter de denúncia. Nesse plano de sequência encontramos significações na produção argentina, com ênfase na película de Fernando Solanas, Tangos – O exílio de Gardel de 1985, produzido em parceria com o Centre National de la Cinématographie/Cinesur e Ministère de la Cultura de la Republique Françase/Tercine. O filme é um registro que representa a vida ordinária no exílio argentino, narrado em diálogo com as coreografias que abrem cada ato da história contada por meio da música e do tango. O recurso utilizado pelo diretor demonstra uma abordagem do debate sobre um período delicado do contexto político da época. Fernando Solanas, constrói a narrativa em torno da Tanguedia (tango-comédia-tragédia) que se propõe dar visualidade a uma história do exílio como resistência. A trilha musical do filme foi composta por Astor Piazzolla, que apresenta uma íntima ligação com o cinema, ligação que remonta aos seus treze anos de idade, quando em 1935 atuou no filme “El día que me quieras” ao lado de Carlos Gardel. Já passados cinquenta anos, a própria personalidade de Astor Piazzolla representa a dualidade que perpassa todo o filme de Fernando Solanas, o tango, que se pretende Argentino e que se depara com o cosmopolitismo da capital Francesa. O compositor dessa trilha musical, nascido em Mar Del Plata, filho de imigrantes italianos, que aos quatro anos foi morar em Nova York, trazia em sua própria história os encontros e desencontros que proporcionam as experiências de uma história do exílio latino-americano.
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