Comunicação oral
Fonte: Simpósio Brasileiro de Pós-Graduandos em Música, ___(edição)___, 2014
Mikhail Bakhtin e John Cage: ato e atividade sonora em 4’33’’ – algumas aproximações teóricas
Ricardo Mendonça Petracca
Palavras-chave
Resumo
Talvez Mikhail Bakhtin (1895-1975) e John Cage (1912-1992) nunca tenham se encontrado em vida. Porém, ao caminhar na direção da indeterminação e do acaso em música, o compositor se aproxima de muitos aspectos abordados por Bakhtin em seus escritos. De um lado, Cage confere importância composicional e conceitual ao momento da execução da obra ao constituí-la de sons não previstos pelo compositor. Com base na filosofia zen, propõe o abandono do desejo de controle da música e sugere uma nova atitude ao escutar música. Ao refletir sobre sons voluntários e involuntários e inserir o acaso em suas obras, considera a atividade dos sons, da forma como estes se apresentam em determinado momento, entendendo que, desta maneira, a dicotomia entre arte e vida desaparece. Bakhtin, por sua vez, constata as características de um evento em um ato único, singular e irrepetível e que pode ser apreendido por meio de uma arquitetônica que descreve os elementos que o constitui. Assim, utilizando-se de um plano único de análise (o ato) o filósofo pretende eliminar a separação entre o mundo da cultura e a vivência. Neste sentido, ao associar a arte e vida, entende a obra de arte como conteúdo de uma atividade estética realizado em um determinado material sem deixar de considerar o aspecto contingencial e o caráter de evento presentes no ato estético. Neste trabalho, verifico a proximidade entre o acaso na música de John Cage e o pensamento de Bakhtin, considerando a obra 4’33’’ de Cage.
Mikhail Bakhtin and John Cage: Act and Sound Activity in 4’33’’ – Some Theoretical Approaches
Perhaps Mikhail Bakhtin (1895-1975) and John Cage (1912-1992) have never met in life. However, the move toward indeterminacy and chance in music, the composer approaches many aspects discussed by Bakhtin in his writings. On one hand, Cage gives compositional and conceptual importance to the moment of execution of the work to the constitute it with sounds not provided for by composer. Based on Zen philosophy, proposes abandoning the desire to control the music, suggests an expansion of musical listening and a new attitude to listen to music. Reflecting on voluntary and involuntary sounds and insert the chance in his works, considers the activity of sounds the way they present at any given time, because it believes that in this way, the dichotomy between art and life disappears. Bakhtin, in turn, finds the characteristics of an event in a single, unique and unrepeatable act that can be obtained by means of an architectonic that describes the elements that constitute it. Thus, using a single plan of analysis (the act) the philosopher intends to bridge the gap between the world of culture and experience. In this sense, by linking art and life, understands the work of art as an content of aesthetic activity performed in a given material, but while considering the contingencial appearance and character of event presents in the aesthetic act. In this work, check the proximity between chance in the music of John Cage and the thought of Bakhtin, considering Cage’s work (4'33”).
Seu navegador será reencaminhado para a fonte do documento, porque o Amplificar não mantem cópias das referências. Caso o texto não seja carregado, por favor me notifique que ele está fora do ar e consulte sua disponibilidade no site oficial da fonte.