Tese de Doutorado
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (UFMG), ___(edição)___, 2020
Memória e significação no contexto musical do Choro em Belo Horizonte: o caso de Mozart Secundino de Oliveira
Humberto Junqueira
Palavras-chave
Resumo
O presente estudo aborda as práticas musicais de Mozart Secundino de Oliveira (1923-2015) no contexto do choro – categoria genérica que reúne em torno de si um conjunto de ideias, ritmos, instrumentos, danças, territórios, e assim por diante –, na cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais (Brasil). Mozart cultivou o chamado violão de 6 cordas de acompanhamento, típico dos agrupamentos designados como regionais, alcançando, ao final dos anos 2000, notório reconhecimento público. Este reconhecimento pode ser notado através de matérias jornalísticas, documentários, condecorações institucionais, entre outras ações que confirmam a relevância do músico no âmbito da cultura local. Este trabalho busca, portanto, compreender as relações de Mozart com o universo do choro em Belo Horizonte, ao mesmo tempo em que reflete sobre as especificidades de suas práticas. Para que isso fosse possível, foi necessário relativizar algumas noções, como o próprio conceito “clássico” de etnografia, uma vez que eu mesmo sou um agente nesse contexto musical. Em outras palavras, o pretenso distanciamento (ou suposta neutralidade) entre investigado e investigador, no caso dessa pesquisa, não ocorreu. Foi importante também uma discussão a respeito da “história oficial” do choro. Alargar essa narrativa foi fundamental para incluir nela a história de Mozart, que conta com outras territorialidades, indo além, portanto, da cidade do Rio de Janeiro. Mozart foi um mestre em seu ofício, um músico agregador, um contador de histórias, um encantador de platéias. Mozart era um ancião. Um sábio. Escutar o violão de Mozart significa escutar várias histórias diferentes; é seguir um rastro; uma tradição, como um caçador de volta no tempo. Escutar essa música significa percorrer uma trilha, seguir as indicações de gestos e ações de um corpo que transporta enigmas. São esses enigmas que este trabalho busca identificar.
The present study addresses the musical practices of Mozart Secundino de Oliveira (1923-2015) in the context of choro - a generic category that gathers around itself a set of ideas, rhythms, instruments, dances, territories, and so on -, in city of Belo Horizonte, capital of the state of Minas Gerais (Brazil). Mozart cultivated the so-called six-string guitar, typical of groupings designated as regional, achieving, at the end of the 2000s, a notorious public recognition. This recognition can be noticed through journalistic articles, documentaries, institutional decorations, among other actions that confirm the relevance of the musician in the context of local culture. This work, therefore, seeks to understand Mozart's relations with the universe of choro in Belo Horizonte, while reflecting on the specifics of his practices. For this to be possible, it was necessary to relativize some notions, such as the “classic” concept of ethnography itself, since I myself am an agent in this musical context. In other words, the supposed distance (or supposed neutrality) between the investigated and the investigator, in the case of this research, did not occur. It was also important to discuss the “official history” of choro. Extending this narrative was fundamental to include Mozart's story, which has other territorialities, thus going beyond the city of Rio de Janeiro. Mozart was a master in his craft, an aggregating musician, a storyteller, an enchanter of audiences. Mozart was an elder. A wise man. Listening to Mozart's guitar means listening to several different stories; is to follow a trail; a tradition, like a hunter back in time. Listening to this music means walking a trail, following the indications of gestures and actions of a body that carries enigmas. There are the enigmas that this work seeks to identify.
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