Comunicação oral

Fonte: Encontro Internacional de Música e Mídia, ___(edição)___, 2013

Indústria da cultura e indústria de alimentos: causa ou consequência da homogeneização e degeneração dos gostos na sociedade de massas?

Juliano de Oliveira, Ronaldo Novaes

Resumo

É bastante conhecida a crítica dos frankfurtianos, notadamente Theodore Adorno e Max Horkheimer, de que a música vinculada à Indústria da Cultura, com suas estruturas formais altamente previsíveis e repetitivas, melodias fáceis e padrões familiares, teria sido responsável por certa infantilização da audição e poderia haver contribuído, igualmente, para a “regressão da escuta”. Também é bastante comum nos tempos atuais a crítica, por parte de sociólogos, nutricionistas e profissionais da área da alimentação, à indústria dos alimentos por haver ocasionado uma homogeneização dos gostos e contribuído para a criação de paladares infantilizados, que, neste caso, se caracterizaria pela predileção por sabores adocicados e pela aversão a verduras, frutas, alimentos desconhecidos e temperos fortes. Nesse artigo buscar-se-á, portanto, estabelecer possíveis relações entre as críticas auferidas às indústrias da música de consumo e de “fast” e “junk food” tendo por base as seguintes questões: haveria, de fato, a cultura de massas (ou para as massas) ocasionado uma homogeneização e infantilização de todos os gostos? Até que ponto é possível relacionar uma experiência estética com uma experiência alimentar? Não seria, em certa medida, a apreciação gustativa também uma experiência estética em algum sentido? Até que ponto podemos conceituar como “infantilizada” uma cultura pautada nos gostos de uma sociedade de massa construída sob a égide do consumo?

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