Entrevista em periódico

Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2020

Guinga: 70 anos de um violão brasileiro altamente particular

Fernando Elías Llanos

Resumo

Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar é Guinga, violonista nascido em 10 de junho de 1950 no Rio de Janeiro, que em 2020 completou 70 anos. Compositor e instrumentista, ao longo das décadas de percurso profissional suas músicas ressoaram nas diversas salas de concerto, teatros e palcos do Brasil e do mundo. Sua linguagem composicional, seu estilo interpretativo e suas influências são híbridos e ecléticos, exercitando releituras idiomáticas do choro, do baião, do samba, como também do cool jazz, do impressionismo musical francês, das cantilenas villalobianas ou das politonalidades à la Stravinsky. Desde o seu primeiro disco – em parceria com Aldir Blanc –, Simples e absurdo (1991), a produção discográfica de Guinga reserva um lugar de destaque ao gênero canção e à música instrumental, esta última em formato camerístico – violão e outros instrumentos, como em Cheio de Dedos (1996) – ou solista, como Roendopinho (2014) e Canção da Impermanência (2017). No entanto, a dimensão do seu pensamento político-estético ainda não foi suficientemente explorada nas pesquisas científicas em música quando observamos o corpus atual de teses, dissertações, artigos e eventos acadêmicos. Espera-se que os temas abordados nesta entrevista subsidiem os diálogos universidade-sociedade multiplicando a diversidade epistemológica, em particular aquela referente à construção de uma historiografia crítica – e não apenas a musicológica – do instrumento e à compreensão do assim chamado “violão brasileiro”.

Guinga: 70 years of a highly particular Brazilian guitar

Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, known as Guinga, is a guitarist born on June 10, 1950 in Rio de Janeiro who turned 70 years old in 2020. A composer and instrumentalist, over the decades of his professional career his music resonated throughout the concert halls, theaters, and stages of Brazil and the world. His compositional language, interpretive style, and influences are hybrid and eclectic, exercising idiomatic reinterpretations of choro, baião, and samba, as well as cool jazz, French musical impressionism, “Villalobian” song or polytonality à la Stravinsky. Since his first album in partnership with Aldir Blanc, Simples e absurdo (1991), Guinga's discography holds a prominent place within song and instrumental genres , the latter in a chamber format − guitar and other instruments, such as in Cheio de Dedos (1996)− or in a solo format like Roendopinho (2014) and Canção da Impermanência (2017). However, the dimension of his political and aesthetic thought has not been sufficiently explored in music research as we look at the current corpus of theses, dissertations, articles, and academic events. It is expected that the themes covered in this interview will support the university-society dialogue by increasing epistemological diversity, referring in particular to the construction of a critical historiography, not just a musicological narrative, of the instrument and the understanding of the so-called “Brazilian guitar”.

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