Comunicação oral
Fonte: Simpósio Brasileiro de Pós-Graduandos em Música, ___(edição)___, 2014
Forró desordeiro: para além da bipolarização ‘Pé de Serra versus Eletrônico’
Climério de Oliveira Santos
Palavras-chave
Resumo
O mercado atual do forró no Nordeste (e um pouco além dele) encontra-se marcado por uma aguda polarização: forró pé de serra versus forró eletrônico. O objetivo deste trabalho é problematizar tal polarização e verificar a corrente diversidade do forró que essa oposição mascara. A música popular midiática que atualmente chamamos de forró surgiu na década de 1940, quando recebeu o apelido metonímico de baião. No início dos anos 1990, surgem as bandas-empresas que, conectadas com os grandiosos espetáculos das músicas pop (românticas) nacionais e transnacionais, varrem o Nordeste e reverberam em outras regiões brasileiras. A proliferação das referidas bandas provoca várias reações entre os agentes historicamente ligados ao forró. De um lado, ganha relevo a expressão “forró pé de serra” (ou “tradicional”), articulada por agentes vinculados a Luiz Gonzaga. Como designativo das bandas do lado oposto, surge o termo “forró eletrônico” (ou “estilizado”). Os agentes promoveram uma crescente bipolarização do debate: o “forró eletrônico”, aferido pelos seus empreendedores como “moderno, atual, jovem”, taxando a música dos opositores de “atrasada”; o “forró pé de serra”, associado a um Nordeste tradicional é defendido como o “autêntico forró” pelos seus agentes, que rotulam a música dos opositores de inautêntica. Tal oposição vem envolvendo um número crescente de artistas, músicos, públicos, jornalistas e até mesmo alguns intelectuais acadêmicos que passaram a naturalizar a referida oposição. Entretanto, este trabalho — sínteses da minha tese de doutorado — pretende lançar nova luz sobre o forró e desvelar múltiplas práticas desenvolvidas pelos agentes, mas que não se enquadram nos rótulos “pé de serra” ou “eletrônico”. Esteado em etnomusicologia, ciências sociais e em trabalho de campo etnográfico, o estudo investiga e analisa diversas práticas importantes, sobretudo, na cidade do Recife (Pernambuco, Nordeste do Brasil), verificando no forró uma multiplicidade e uma complexidade que extrapolam o enquadramento bipolar e têm escapado ao olhar dualista.
Rowdy Forró: Beyond Polarization 'Forró Pé de Serra Versus Forró Eletrônico’
The current forró market in Northeast Brazil (and a little bit further) is featured by an acute polarization: forró pé de serra vs. forró eletrônico (electronic forró). This paper aims to question such polarization and analyze the present diversity of forró hidden by such opposition. The popular media music currently called forró came into being in the 1940’s, when the metonymical nickname of baião came into use. In the early 1990’s, “company-bands” (professional bands) were created and these, connected with mega shows of national and transnational pop (romantic), swept the Northeast region and reverberated on other Brazilian regions. The proliferation of such bands cause reactions among agents who were historically related to forró. From one side, the expression “forró pé de serra” (meaning “traditional” forró) — used by agents related to Luiz Gonzaga — starts gaining importance. The term “forró eletrônico” (or stylized forró) is created in order to designate the bands from the opposite side. The agents promoted a growing bipolarization of the debate: “forró eletrônico”, defined by its advocates as “modern, trendy, fresh”, calling the opposing style “old fashioned”; “forró pé de serra”, associated to the traditional Northeast and called by its advocates the “authentic forró”, thus labeling the opposing style as “inauthentic”. Such opposition has involved a growing number of artists, musicians, audience, fans, journalists and even some intelectuals, who started to consider such opposition natural. However, this paper — that is a synthesis of my doctoral dissertation — aims to shed a new light on forró and unveil multiple practices developed by agents, but do not fit the labels “pé de serra” or “eletrônico”. This study, based on the concepts of ethnomusicology, social sciences and ethnographic field work, investigates and analyzes various relevant practices, specially in the Recife (capital city of the state of Pernambuco, Northeast Brazil), finding in forró some sort of multiplicity and complexity that go beyond the bipolar framing and escape the dualist outlook.
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