Artigo em periódico

Fonte: Música Popular em Revista, ___(edição)___, 2017

Esteroides x Serotonina: o gênero em dois renomados artistas de rap francês dos anos 2000

Karim Hammou, Daniela Vieira dos Santos (trad.), Izadora Xavier do Monte (trad.)

Resumo

Diam’s e Booba são dois grandes artistas do rap francês dos anos 2000. Ambos venderam mais de um milhão de álbuns ao longo da década e adquiriram uma reputação que faz deles estrelas no mundo do rap e além. No entanto, eles têm imagens públicas distintas do ponto de vista do gênero. Enquanto a aparência de Diam’s foi intencionalmente remodelada para ser “mais feminina” a partir de 2002, o corpo de Booba foi alvo de um trabalho de musculação acompanhado de uma mise en scène cada vez maior do corpo musculoso do artista. A elaboração do gênero desses artistas é igualmente evidente por meio de suas letras e clipes. O presente artigo analisa a produção coletiva do gênero desses artistas (gendered artists), com uma atenção especial à contribuição dos intermediários culturais que se ocupam da recepção crítica. Mostra como as estratégias de marketing e a recepção crítica transforma em produto não apenas as produções musicais desses artistas, mas também suas imagens públicas como estrelas “generificadas” e racialisadas. O artigo mostra como o tratamento assimétrico de Diam’s, como mulher, e de Booba, como homem, ilustram o conceito de heterossexualização (musical).

Steds x Downers: Gendering the two best-selling French rap artists of the 2000s

Diam’s and Booba are two prominent French rap artists from the 2000s. Both have sold more than one million records during this period, and they achieved fame in and beyond the world of rap music, so we may describe them as stars. Yet, these stars have highly diverging public images with respect to gender. While Diam’s public image was consciously repackaged since 2002 to fit in a more feminine look, Booba’s body has been reworked during the 2000s to become more and more muscular and more and more staged as such. The gendering of these artists is also obvious in their lyrics and videoclip. This paper analyses the collective production of these gendered stars, and it pays special attention to the contribution of cultural intermediaries responsible for their critical reception, e.g. musical journalists. It shows how marketing strategies and critical reception commodify not only the musical achievements of these artists, but also their public images as gendered and racialized stars. This article demonstrates how the asymmetric treatment of Diam’s as a woman and Booba as a man can be interpreted through the concept of (musical) heterosexualisation.

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