Dossiê
Fonte: Revista da Tulha, ___(edição)___, 2021
Dossiê do Seminário (Re)discussão sobre as grandes áreas do conhecimento IEA-USP / NAP-CIPEM
Paulo Eduardo de Barros Veiga (org.)
Palavras-chave
Resumo
Ao longo de 2018, na Sala Alfredo Bosi do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), foram realizados três encontros, coordenados pelo Prof. Dr. Rubens Russomanno Ricciardi, que trataram de diversas questões a respeito da organização das grandes áreas do conhecimento, da cientometria e das métricas redutivas de avaliação da pesquisa acadêmica, dentre outros assuntos. O primeiro encontro procurou levantar os problemas de cada área e os conflitos provocados pelas avaliações e pela fragmentação do conhecimento em setores isolados, cujo reflexo sejam unidades universitárias menos unidas, mais competitivas e menos éticas, mediadas pelo discurso estéril do produtivismo nas ciências, nas artes e na filosofia. O segundo encontro, a partir das discussões anteriores, colocou em cena o problema da divisão das áreas do conhecimento e do não reconhecimento de suas especificidades, bem como de outras maneiras de publicar um estudo, incluindo as pesquisas nas artes, para além do paper. O terceiro encontro abordou, dentre outros, o problema de as linhas de pesquisa engessarem o pesquisador e de as métricas arbitrárias ferirem a liberdade da pesquisa. Em todos os momentos, sublinhou-se a importância do Manifesto de Leiden, que se coloca contra os critérios redutivos de avaliação acadêmica, bem como os rankings internacionais, em geral mais preocupados com questões não acadêmicas. Sob esse amplo escopo, chamou-se atenção para o fato de que as pesquisas nas artes são reduzidas, desincentivadas ou esquecidas, em função de preconceitos que impedem novas configurações de pesquisa, sob tratamento diferenciado e inventivo. Afinal, se o conhecimento é variado e, ao mesmo tempo, não fragmentado, por que a produção de pesquisa deve se pautar por modelos reduzidos e estanques, que privilegiam uma área em detrimento de outra? Em suma, tratando desses problemas que assombram a liberdade de pesquisa, dentre outras questões, este dossiê apresenta ao leitor as falas de professores e convidados que participaram dos debates sobre os problemas da avaliação do conhecimento por meio de métricas redutivas, da fragmentação do saber em áreas isoladas que não mais conversam entre si e da exclusão de outras formas de expressão científica, além do paper.
In 2018, the Sala Alfredo Bosi, in the Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), hosted three meetings, coordinated by Prof. Dr. Rubens Russomanno Ricciardi. The encounters dealt with various issues regarding the organization of the great areas of knowledge, scientometrics, and the reductive metrics for the evaluation of academic research, among other subjects. The first meeting sought to raise the major problems in each area and the conflicts caused by the evaluations and by the fragmentation of the knowledge in isolated sectors, which reflect less united, more competitive, and less ethical units of the university. Plus, one highlighted the sterile discourse of productivity in science, arts, and philosophy. The second meeting, based on the previous discussions, examined the problem of the division of the areas of the knowledge and the non-recognition of their specificities, as well as other ways of publishing a study, including the research in the arts, besides the academic paper. The third meeting looked at the problem of the rigidness of the research’s lines, and the arbitrary metrics, which reduces the freedom of the researcher. In all moments, the importance of the Leiden Manifesto was stressed, which stands against the reductive criteria of academic evaluation, as well as the international rankings, in general, more concerned with non-academic issues. Under this broad scope, one drew attention to the fact that the research in the arts is reduced, discouraged or forgotten, due to prejudices that prevent new research configurations, under differentiated and inventive treatment. After all, if knowledge is varied and, at the same time, not fragmented, why should research production be guided by reduced and tight models, which privilege one area over another? In short, dealing with these problems that haunt the freedom of research, among other issues, this dossier presents to the reader the speeches of professors and guests who participated in discussions on the problems of the evaluation of the knowledge through reductive metrics, on the fragmentation of the knowledge in isolated areas that no longer talk to each other, and on the exclusion of other forms of scientific expression, besides the academic paper.
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