Dissertação de Mestrado

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (Udesc), ___(edição)___, 2016

Do tactus ao pulso: A rítmica de Gramani na confluência do tempo sentido e medido

Bianca Gesuato Thomaz Ribeiro

Resumo

Essa pesquisa apresenta a rítmica de José Eduardo Gramani em uma perspectiva semântica que vai além da métrica e utiliza os ostinatos não como tempo marcado, medido, essencialmente métrico mas como tempo moldado, ou seja, sentido. Em seus estudos Gramani explora duas polaridades: a rítmica divisiva, que parte do maior valor, o tactus, dividido em valores menores agrupados simetricamente e a rítmica aditiva, construída a partir do menor valor, o pulso ou pulsação elementar, agrupado em múltiplos de 2 ou 3 gerando imparidades e motivos assimétricos. A hipótese levantada é de que o uso de ostinatos em sua obra Rítmica (1988) e Rítmica Viva: a consciência musical do ritmo (1996) como medida de tempo se assemelha ao uso das timelines comuns na música de origem africana. Dessa forma, as polirritmias de Gramani dialogam com estudos recentes sobre rítmica africana, aproximando-as do conceito de timeline apresentado por etnomusicólogos como Agawu (2006), Arom (2004), Oliveira Pinto (1999) e Kubik (1979).

This research presents the rhythmic of José Eduardo Gramani in a semantic perspective that goes beyond the metro and uses ostinatos not as time marked, measured, essentially metric but as time molded, felt. In his studies Gramani explores two polarities: the divisive rhythm, which starts from the highest value, the tactus, divided into smaller values grouped symmetrically and the additive rhythm, constructed from the smallest value, the pulse or elementary pulsation, grouped in multiples of 2or 3 generating rhythmic oddities and asymmetric motifs. The hypothesis raised here is that the use of ostinatos in his work Rítmica (1988) and Rítmica viva: a consciência musical do ritmo (1996) as a measure of time resembles the use of timelines common in African music. Thus, Gramani's polyrhythms dialogue with recent studies on African rhythms, approaching the timeline concept presented by ethnomusicologists such as Agawu (2006), Arom (2004), Oliveira Pinto (1999) and Kubik (1979).

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