Artigo em periódico

Fonte: Revista da Tulha, ___(edição)___, 2018

Corpos miméticos: uma interpretação do K-pop cover em São Paulo

Thiago Haruo Santos

Palavras-chave

  • [Referência sem palavras-chave]

Resumo

Apresento neste artigo uma interpretação da prática do cover do pop sul coreano (K-pop) para delinear possíveis consequências para a teoria da mimesis, quando discutida junto às práticas musicais mediadas por dispositivos eletrônicos como celulares, tablets e computadores, que cumprem a função de máquinas miméticas. A partir de um estudo etnográfico realizado entre 2013 e 2015 junto aos praticantes do cover de K-pop em São Paulo, busco mostrar como os fãs desse gênero musical compreendem a reprodução feita por eles mesmos das performances dos artistas sul coreanos em palcos paulistanos. A prática do cover de K-pop, nesse sentido, mais do que uma imitação, surge como uma ação que assumindo o lugar do artista sul coreano, (re)produz nos palcos paulistanos os efeitos de performance presentes nos videoclipes. Se as máquinas miméticas colocam o fã em contato com o ídolo sul coreano, o cover tenta “passar um pouco do que o idol passa” quando assume o lugar de performer nos palcos paulistanos, tornando-se um corpo mimético em performance. O argumento aqui é de que ao se tornar um corpo mimético, os covers de K-pop entreveem o ponto de vista do próprio artefato artístico na relação com seu público.

Mimetic bodies: an interpretation of K-pop cover in São Paulo

This article presents an interpretation of K-pop cover practice in São Paulo city to derivate some consequences for the theory of mimesis. It shows how musical practices mediated by electronic devices as cellphones, tables or computers challenges this theory. These devices are considered here mimetic machines. From an ethnographic research made between 2014 and 2015, it shows the conceptualization of cover practice by K-pop fans. Instead of a simple imitation of K-pop idols, the cover practice emerges as a (re)production of performing effects that is actualized in music videos. Considering electronic devices as mimetic machines that put fans in contact with the South Korean pop idols, this article shows cover performers in São Paulo “giving to fans something that idols give to us”. In this sense, cover perfomer become a mimetic body, taking the point of view of art object in the art-public relation.

Cuerpos miméticos: una interpretación del K-pop cover en São Paulo

En este artículo realizo una interpretación de la práctica del cover del pop sur coreano (K-pop) para delinear posibles consecuencias para la teoría de la mimesis, cuando se discute junto a las prácticas musicales mediadas por dispositivos electrónicos como celulares, tablets y computadoras, que cumplen la función de máquinas miméticas. A partir de un estudio etnográfico realizado entre 2013 y 2015 junto a los practicantes del cover de K-pop en São Paulo, busco mostrar cómo los fans de ese género musical comprenden la reproducción hecha por ellos mismos de las actuaciones de los artistas surcoreanos en escenarios paulistanos. La práctica del cover de K-pop, en este sentido, más que una imitación, surge como una acción que, asumiendo el lugar del artista sur coreano, (re) produce en los escenarios paulistanos los efectos de performance presentes en los videoclips. Si las máquinas miméticas ponen el fan en contacto con el ídolo sur coreano, el cover intenta “pasar un poco de lo que el idol pasa” cuando asume el lugar de performer en los escenarios paulistanos, convirtiéndose en un cuerpo mimético. El argumento aquí es de que al convertirse en un cuerpo mimético, los covers de K-pop aceden al punto de vista del propio artefacto artístico en la relación con su público.

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