Artigo em periódico

Fonte: Música Hodie, ___(edição)___, 2022

Consumo e experiência estética: duas escutas de Kid A, do Radiohead

Pedro Henrique Martins

Resumo

Consumo e fruição estética são impulsos que coexistem no repertório radiofônico. A demanda por entretenimento faz pesarem os componentes sensorial e imediato, enquanto o trabalho com as lingua-gens musical e poética pressupõe, por vezes, reflexividade e consciência formal. A partir de leituras díspares de Kid A (2000), álbum do grupo inglês Radiohead que tensionou fronteiras da música radiofônica, apresento duas perspectivas sobre o repertório mediado pela indústria cultural, ex-pressas em escutas que variam da adesão resoluta ao consumo cultural a um esboço de hermenêutica musical. Baseado em escritos de Theodor Adorno, bem como em um panorama musicológico que atualiza o deba-te, discuto como esse problema permanece reduzido aos polos da co-moditização e da expressão estética. Finalizo com alguns apontamentos para uma estética do lapso, que reconhece o instante como espaço viável para a experiência estética no cotidiano, a partir de um capítulo – “Nossa Embriaguez” – da obra Pós-história, de Vilém Flusser.

Consumption and aesthetic experience: two listening approaches based on Radiohead’s KidA

Consumption and aesthetic appreciation are impulses that coexist in the radiophonic repertoire. The demand for entertainment stresses the sensory and immediate components, whereas the labor over musical and poetic languages occasionally entails reflexivity and formal conscience. Based on divergent readings of Kid A (2000), an album by the English group Radiohead that stresses the boundaries of radiophonic music, I present two perspectives regarding music mediated by the culture industry, expressed by listening approaches varying from resolute adherence to cultural consumption to the outline of a musical hermeneutics. Relying on writings by Theodor Adorno, as well as on a musicological overview that refreshes the debate, I discuss how this problem ends up reduced to the poles of commodification and aesthetic expression. Eventually, I make some appointments towards a lapse aesthetics, which acknowledges the instant as a viable space for daily aesthetic experience, grounded in a chapter – “Nossa Embriaguez” – from Vilém Flusser’s Pós-história.

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