Artigo em periódico

Fonte: Música Hodie, ___(edição)___, 2021

Compor de ouvido: processos colaborativos e escuta engajada em Luigi Nono

Fernando Hiroki Kozu, Felipe de Almeida Ribeiro

Resumo

Abordamos neste trabalho alguns dos processos criativos de Luigi Nono enquanto um modo de “compor de ouvido” ou “com-posição” como posicionamento recíproco com o outro, a partir de uma escuta aberta e engajada. Agregamos a esse estudo seu interesse na experimentação com o texto, a voz e o espaço, no processo criativo-colaborativo com os intérpretes e operadores técnicos, além da experimentação em estúdio eletroacústico. Destacamos as revelações encontradas em seus próprios escritos e como suas ideias se concretizaram em suas composições, em especial, nas obras A floresta é jovem e cheia de vida(1965-66) e A Pierre. Dell’azzurro silenzio, inquietum (1985). Concluímos que, para Nono, a composição alicerçada no processo da escuta – o “compor de ouvido” – tornou-se uma característica vital em sua fase tardia – principalmente nas obras mistas –, por possibilitar a emergência do imprevisível e do não familiar.

To compose by ear: collaborative processes and engaged listening in Luigi Nono

In this paper, we approach some of Luigi Nono’s creative processes as a way of “composing by ear”, or “com-posição” (wordplay in Portuguese: to compose at the same time to position oneself, politically speaking) as a reciprocal positioning regarding the other, based on an open and engaged listening process. In addition, we stress the composer’s interest in experimentation with text, voice, and space, in the creative-collaborative process with performers and technicians, and experimentation inside the electroacoustic studio. We highlight a few important remarks found in his writings and how his ideas came to fruition in his compositions, in particular in the works “A floresta é jovem e cheia de vida” (1965-66) and “A Pierre. Dell’azzurro silenzio, inquietum” (1985). We understand that for Nono the composition process associated with the listening process – the idea of “composing by ear” – became a vital characteristic in his late period – especially in his mixed works –, because it allows the emergence of unpredictable and unfamiliar sonic results.

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