Artigo em periódico

Fonte: Orfeu, ___(edição)___, 2021

Colibri e Caranguejo: genealogia e edição de dois choros pioneiros para violão

Humberto Amorim, Jefferson Motta, Flavia Prando, Ivan Paschoito

Resumo

No repertório exclusivo para violão, à exceção de algumas obras de Villa-Lobos, ainda são raras e/ou desconhecidas as peças para o instrumento que remetem ao período de consolidação do choro como gênero musical, um processo que se alastrou de meados do século XIX até os decênios iniciais dos novecentos. Na tentativa de colaborar com o preenchimento da lacuna, o presente artigo objetiva apresentar ineditamente dois choros para violão compostos por volta de 1912: Colibri, de Melchior Cortez (1882-1947); e Caranguejo, de Francesco Rosa Gadanho (1872 -?). Em diálogo com trabalhos de referência sobre o tema e através do levantamento de fontes, edições e manuscritos até então desconhecidos, o texto tem como objetivos secundários traçar uma genealogia preliminar das obras e de seus compositores, destrinchar a relação composicional das peças (que podem ser tocadas em versões para solo ou duo), discutir sucintamente algumas das possíveis razões que justificam porque poucas peças do gênero sobreviveram, avaliar possíveis intersecções entre violão e circo no ínterim em questão, bem como analisar de que forma os imbricamentos musicais e a permeabilidade terminológica que rondaram o período de constituição do choro também estão presentes nos subtítulos e no conteúdo musical das peças suscitadas. Finalmente, apresentamos os critérios que nortearam uma iminente edição moderna das partituras, a ser publicada em parceria com a editora Legato. Como resultado, acreditamos que a discussão de tais perspectivas não somente colabora para alargar o entendimento de nossas práticas de outrora, mas também possibilita que novas peças do repertório pioneiro do violão brasileiro sejam paulatinamente incorporadas na literatura do instrumento.

Colibri and Caranguejo: genealogy and editing of two pioneering choros for guitar

In the exclusive repertoire for guitar, with the exception of some works by Villa-Lobos, pieces for the instrument that refer to the period establishing choro as a musical genre, a process that spread from the mid-nineteenth century until the early twentieth century, are still rare and/or unknown. In an attempt to help fill this gap, the present article aims to present for the first time two choros for guitar composed around 1912: Colibri, by Melchior Cortez (1882-1947); and Caranguejo, by Francesco Rosa, the Gadanho (1872 -?). In examining reference works on the subject and through the survey of sources, editions and manuscripts unknown until then, the text has as secondary objectives to trace a preliminary genealogy of the works and their composers, to unravel the compositional relationship of the pieces (which can be played in solo or duo versions), discuss briefly some of the possible reasons why few pieces of the genre survived, evaluate possible intersections between guitar and around the period in question, as well as analyze how the musical imbrications and the terminological permeability that surrounded the period of the constitution of choro are also present in the subtitles and musical content of the pieces raised. Finally, we present the criteria that guided an imminent modern edition of the scores, to be published in partnership with the Legato publishing house. As a result, we believe that the discussion of such perspectives not only contributes to broaden the understanding of our past practices, but also enables new pieces of the pioneer repertoire of the Brazilian guitar to be gradually incorporated into the literature of the instrument.

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