Comunicação oral

Fonte: Simpósio Internacional de Cognição de Artes Musicais, ___(edição)___, 2014

Coeficientes melódicos da emoção na melodia tonal

José Roberto do Carmo Jr.

Resumo

Valência e ativação são conceitos básicos na moderna teoria das emoções (Russel, 1980). Todas as emoções básicas, como a alegria, a tristeza, a ira, etc. podem ser consideradas como representações lexicais dos diferentes graus de valência e ativação, que são contínuos (Barret, 2006). Como se sabe, a música não é capaz de expressar conteúdos conceituais, mas talvez seja capaz de expressar graus de valência e ativação. Neste estudo, exploramos essa hipótese através da análise de quarenta canções do Beatles. Nós assumimos que a valência é: (i) inversamente proporcional à taxa de elocução, (ii) diretamente proporcional à extensão da tessitura, e (iii) apresenta uma correlação estatística significante com o modo (maior ou menor). Nesse sentido, taxa de elocução, tessitura e modo podem ser considerados coeficientes musicais de um conteúdo emocional. Dado que os coeficientes são expressos numericamente (i.e. número de semitons, número de sílabas por minuto) eles podem ser tomados como a medida do conteúdo emocional de uma melodia. Para testar tal hipótese, coletamos dados de uma enquete realizada na Internet sobre o perfil emocional de canções dos Beatles. Foram mensurados os coeficientes melódicos de vinte canções consideradas “tristes” e vinte outras consideradas “alegres”. Resultados preliminares sustentam a hipótese de que há uma forte correlação entre valência, de um lado, e taxa de elocução, tessitura e modo, de outro.

Text setting grammar in pop songs

Valence and arousal are basic concepts of the modern theory of emotions (Russell, 1980). Any basic emotion, such as joy, sadness, anger, etc, can be seen as the lexical or conceptual representation of different degrees of valence and arousal, which are dimensional and continuous in nature (Barret, 2006). As we know, music is not able to express conceptual contents, but perhaps it can at least map the degrees of arousal and valence. This study explores this idea through the analysis of forty Beatles melodies. We hypothesize that the valence is (i) directly proportional to the singing rate, (ii) inversely proportional to the pitch range and (iii) has a statistically significant correlation with the mode. Thus, singing rate, pitch range, and mode can be considered melodic coefficients of the musical emotional meaning. As the coefficients are expressed by numbers (i.e., the number of semitones, the number of syllables per minute), they can be used to measure the emotional content of a melody. To test this hypothesis, we gathered data from two Internet surveys about the emotional content of Beatles songs. In this pilot study we measured and analyzed the melodic coefficients of twenty songs judged “sad” by the informants, and twenty songs judged “happy”. Our preliminary results support the hypothesis that there is a strong correlation between valence on one side, and singing rate, pitch range and mode on the other.

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