Artigo em periódico

Fonte: Música Hodie, ___(edição)___, 2022

Auto-organização nos manuais do cinema silencioso: O músico como agente criativo e informacional

Eduardo D'Urso Hebling, Jônatas Manzolli

Resumo

Nos seus primórdios, os filmes silenciosos eram exibidos em diversos locais e com diversos modos de acompanhamento, como leitores, dubladores de diálogos e sons, gramofones e música. Ao eleger as pequenas salas chamadas nickelodeon como local de exibição, a disparidade desses modos gerou uma crise. Estudos apontam para uma campanha de padronização cogitada pelos produtores de filmes, por meio de uma farta literatura normativa, mas qual teria sido o papel dos músicos nesse processo? Para delinear esse papel, fizemos uma análise de conteúdo dos manuais técnico-didáticos do período. Discutimos os resultados usando os conceitos de mundos da arte de Becker e da historiografia de crise de Altman, mas a complexidade deste sistema dinâmico nos aproximou da auto-organização de Ashby e Foerster, comentados por Heylighen, e da complexidade de Morin. Concluímos que os músicos, alimentados pela improvisação e adaptação das performances, foram agentes criativos e informacionais na auto-organização dessa arte.

Self-Organization in Silent Films Manuals: the Musician as a Creative and Informational Agent

At the beginning, silent films were screened in different places and with different modes of accompaniment, such as lectures, sounds and dialogue doublers, gramophones and music. By choosing the small theaters called nickelodeon as the exhibition venue, the disparity of these modes created a crisis. Studies point to a standardization campaign proposed by film producers, through an abundant normative literature, but what would have been the role of musicians in this process? To delineate this role, we conducted a content analysis of the technical-didactic manuals of the time. We discussed the results using Becker’s arts world concepts and Altman’s crisis historiography, but the complexity of this dynamic system brought us closer to the self-organization of Ashby and Foerster, discussed by Heylighen, and the complexity of Morin. We conclude that the musicians, fueled by improvisation and adaptation of the performances, were creative and informative agents in the self-organization of this art.

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